Só agora resolvi escrever algumas linhas sobre a detenção da colega jornalista da Folha de Boa Vista, Cyneida Correa, ocorrida na tarde de segunda-feira, 24.
Cyneida foi das das pessoas com quem melhor me relacionei nos quase quatro anos em que fui repórter de cotidiado e depois de política, da Folha BV.
Tinhamos uma amizade sincera. Conversávamos sobre coisas da vida, sobre trabalho, sobre ilusões e desilusões. Depois que saí da Folha, nos afastamos um pouco.
Principalmente depois da minha atuação como crítico da mídia roraimense no jornal Roraima Hoje, coisa que muita gente não conseguiu digerir direito, inclusive a própria Cyneida.
Mas para mim pouca coisa mudou no apreço que tenho por ela. Apesar do temperamento um tanto explosivo, trata-se de uma profissional aguerrida e competente.
E para mim toda e qualquer agressão contra jornalista no exercício da profissão é inaceitável. A detenção de uma repórter da realização do seu mister é para mim uma agressão.
Afinal, Cyneida, até onde se sabe, chegou primeiro ao local onde estava o corpo de um homem que fora assassinado, dentro de um carro, no chamado banho do Curupira. Como repórter de polícia competente que é, Cyneida conseguiu ser mais rápida que a polícia.
Na ânsia de cumprir com a sua função de repórter, talvez possa ter se excedido um pouco, mas não a ponto de precisar ser detida. Uma questão de diálogo. Prática que sempre resolver quando duas pessoas se propõem a lançar mão dela.
Mas eu sei bem como a polícia roraimense se considera intocável, acima do bem e do mal.
No ano de 2004, quando eu cobria uma ocupação da antiga sede do Incra por colonos que cobravam providências da superintendência regional do órgão para sua situação em que se encontravam nos lotes onde forma jogados sem a menor infra-estrutura, pude sentir de perto o que é estar na mira de um cacetete preste a me rachar o crânio.
Naquela episódio, os colonos perderam a cabeça com o chá-de-cadeira que tomaram e invadiram a sede do Incra. A polícia foi acionada e em vez de cumprir o seu papel de apaziguadora da situação, partiu para a pancadaria, espancando homens e mulheres de todas as idades.
Inconformado com aquelas cenas dantescas, me coloquei entre um policial do GATE e um colono que apanhava impiedosamente. Por pouco não fui espancado também. Desafiei o policial para que ele batesse, pois ele também estava na mira de uma câmera de televisão que filmava tudo. Assim, me safei do espancamento por um homem que é pago para nos dar segurança.
Fico imaginando, como não testemunhei o episódio que envolveu a colega Cyneida Correa, que ela nem deve ter se excedido tanto na sua forma de se dirigir ao delegado que cuidava do caso.
É que os “senhores da lei” se consideram intocáveis, acima do bem e do mal meeesmo. Aí, qualquer coisa que se diga eles tomam logo por desacato. Como já tive experiência parecida, conforme o relato acima, deixo aqui minha solidariedade sincera à repórter da Folha.
PS - Este post foi republicado aqui no Política com Pimenta esta madrugada depois da nova mudança de layout e de plataforma sofrida pelo blog.
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