
As autoridades de saúde de Boa Vista têm se mostrado incompetentes para barrar o avanço da dengue na cidade. Hoje, mais um óbito por dengue hemorrágica foi verificado na capital roraimense. É mais uma família que perde a sua mãe devido à falta de controle e de condições da saúde pública para diagnosticar com antecedência uma doença que deveria estar erradicada. Todos os anos, nesse período, explode epidemia de dengue em Roraima. Nunca, no entanto, é formulada uma política eficaz de combate ao mosquito aedes aegipty.
Agora, filhos choram o passamento de uma mãe que poderia passar anos e anos cuidando da sua prole. Até quando vamos conviver com isso? Somente depois da morte da senhora é que o diagnóstico foi dado: dengue hemorrágica. Era tarde. Houvesse tido mais hagilidade, talvez esta vida pudesse ter sido salva. A família está abalada. Não deu tempo sequer de fazer um velório digno. O corpo teve que ser enterrado às pressas. Quanta dor desses filhos que ficam órfãos!
Conforme os familiares da vítima, muitas são as dificuldades para dar o diagnóstico da doença. Coisa horrível, confidenciou um jornalista amigo da família a este cronista. O sangue dos pacientes com suspeita de dengue está sendo colhido e enviado para Belém. Somente na capital paraense é feito o exame. O resultado sai em quinze dias. Tempo suficiente para ocorrer o óbito, como aconteceu esta manhã com essa dona-de-casa que partiu. Corações chorosos ficaram. Desolação num lar.
O pessoal da saúde municipal demonstra falta de força e condições para combater o “surto” de dengue que assola Boa Vista. O secretário municipal de Saúde, Namis Levino, admitiu que já foram notificados mais de 1.500 casos da doença. Isso já não é mais surto, secretário, é epidemia mesmo. E algo precisa ser feito. Ur-gen-te-men-te.
Se há incompetência do poder público para dotar o sistema de saúde das condições necessárias, há também certa omissão da população. É preciso tem mais cuidado com os recipientes que ficam jogados no quintal e nos terrenos baldios. Não dá pra vacilar com o mosquito da dengue. Também é preciso pressionar o poder público para fazer a sua parte. Moro num bairro da cidade, onde tem inúmeros terrenos baldios, e não vejo sequer um carro fumacê passar por lá para fazer borrifação. Não podemos ficar à mercê da sorte aqui nesse mundão isolado.
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