Nós jornalistas corremos perigo

9 abril, 2008 por Luiz Valério

Devido a iminência do início da Operação Upatakon 3 para a retirada dos arrozeiros da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol, o clima de tensão em Roraima está chegando a um ponto extremo.

Conforme aviso dado pela Superintendência da Polícia Federal a retirada dos não índios se daria em 48 horas, a partir de ontem.

No meio desse clima aconteceu um fato curioso comigo agora há pouco. Eu passava em frente ao Palácio Senador Hélio Campos, sede do governo, onde se concentrava um grupo de manifestantes pró-rizicultores e, de repente, percebi uma certa agitação diante da minha passagem.


Fiz de conta que não vi nada e segui adiante. A agitação continuou se aproximando de mim com buzinaços, apitaços e palavras ofensivas. Lá pelas tantas ouvi alguém pronunciar o nome Jessé [em referência ao jornalista Jesse Souza, editor-chefe da Folha de Boa Vista), seguido de mais palavras ofensivas.

Só depois, por meio de um telefonema de um outro jornalista amigo meu, fiquei sabendo que os manifestantes tinham me confundido com o colega Jessé Souza, apesar das profundas diferenças físicas, e que pretendiam partir para a agressão.

Quem a companha a Folha de Boa Vista diariamente e lê este blog, sabe que o Jessé, tanto quanto eu, tem criticado essas manifestações regadas a violência levadas a cabo pelos rizicultores. O editor da Folha manifesta quase que diariamente a sua opinião na página dois daquele diário, sempre favorável à retirada dos não-índios.

Por esse motivo, caso eu não fosse eu, ou seja, se fosse o Jessé que estivesse passando naquele lugar agora há pouco, ele poderia ter sido agredido violentamente.

Quem me deu a certeza sobre a intenção dos manifestantes, disse que repórteres de outro veículo de comunicação local tentaram alertar os manifestantes para o fato de que eu não era o Jessé Sousa.

Mas como vi, fazendo de conta que não via nada, a multidão me perseguiu até eu cruzar a rua com destino a Assembléia Legislativa. Sintomático isso. Parece que ninguém mais está seguro diante dessa situação.

A que ponto eles chegaram!

3 abril, 2008 por Luiz Valério

“Uma equipe da TV Ativa que se deslocou para a área Raposa/Serra do Sol no sentido de fazer uma reportagem sobre o conflito naquela região, quando retornava para Boa Vista na tarde desta quinta, teve as fitas com as imagens confiscadas por pessoas ligadas aos arrozeiros que estão na região.

O jornalista Johann Barbosa e os outros membros da TV Ativa estão neste momento prestando depoimento na Superintendência da Polícia Federal a respeito do incidente”.

O relato acima foi feito, por e-mail, pelo pai do repórter Johann Barbosa, o também jornalista e colega Wilson Barbosa.


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