Guerrilha do Araguaia - Encontramos uma testemunha

5 julho, 2008 por Luiz Valério


Manelão Garimpeiro, remanescente da Guerrilha do Araguaia


O pequeno e tranqüilo município de São Luís do Anauá, localizado na região sul de Roraima, a 316 quilômetros de Boa Vista, tem entre os seus 5.700 habitantes um personagem que viveu momentos dramáticos do período da ditadura no Brasil: a guerrilha do Araguaia. O garimpeiro Manoel Carlos do Nascimento, um senhor negro, magro, alto e bem humorado, de 66 anos, teve contato direto com os comunistas- guerrilheiros Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, um dos mais importantes integrantes do PC do B enviados para o Araguaia, e Dinalva Conceição Teixeira, a Dina, a quem chamava de “terroristas” e “aquelas duas pestes”. Depois de sobreviver a duas quedas de avião e sair ileso, Manelão Garimpeiro, como é conhecido, veio aportar no interior de Roraima, de onde partiu e para onde voltou várias vezes em busca de ouro.

Historicamente, a versão de que guerrilheiros teriam sido donos de Serra Pelada ainda guarda alguns mistérios a serem confirmados oficialmente. Porém, sem que ninguém soubesse, Roraima guarda uma parte dessa memória viva, encontrada por este repórter no final do mês de junho, durante uma visita feita a região sul de Roraima. Enquanto fazia a cobertura das convenções municipais naquela cidade brejeira, sempre de ouvido atento aos diálogos paralelos, ouvi quando Manoel Carlos do Nascimento contava sobre suas aventuras no Araguaia e como havia escapado vivo de dois acidentes de avião em pistas de garimpo em Marabá e Itaituba, no Pará. Algo sinalizava que ali havia uma grande história esperando para ser contada. Apresentei-me como jornalista e propus uma entrevista. Manelão topou e, a seguir, temos o relato de parte de um momento importante da história brasileira.

O restante da matéria você lê clicando aqui.

O Silêncio de Simon

24 junho, 2008 por Luiz Valério

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) se fez conhecer como um dos perlamentares mais conceituados do Congresso Nacional. Sempre que surge algum escândalo político, lá está ele dando um corretivo nos envolvidos e exigindo explicações e que tudo seja investigado até as últimas consequências.

No entanto, diante do escândalo Yêda Crusius/PSDB o senador tem ficado quietinho. Não dá nem um piu.

Por isso estou aderindo à campanha lançada pelo Imprensa Marrom, cuja divulgação segue abaixo:

Cada vez fica mais claro que na política brasileira o que vale mesmo é a velha máxima dos “dois pesos e duas medidas”. Quando se trata do escândalo dos outros é fácil vociferar e cobrar ética e coisa e tal. Porém, quando a situação exige que se adote uma postura contrária a pessoas próximas dos aparentemente acima de qualquer suspeita, eles somem ou ficam em silêncio. Como disse o Gravataí Merengue: “fala alguma coisa, Simon!”.

Reflexão sobre a proposta de extinção do parlamento

5 junho, 2008 por Luiz Valério

Os deputados estaduais de Roraima externaram ontem a sua preocupação com a “possibilidade de extinção do Parlamento”.  Na Conferência Nacional da Unale (União Nacional dos Legislativos), realizada em Fortaleza, na semana passada, o deputado federal José Múcio e o senador Pedro Simon disseram que a seriedade com que for tratada a reforma política - caso esta venha a ser feita - será fundamental para a continuidade do Parlamento no país.

A discussão voltou à tona em março, a partir do posicionamento do deputado federal Ariosto Holanda (PSB-CE), que defende a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) segundo a qual o Senado seria extinto, deixando o Poder Legislativo brasileiro unicameral. Holanda argumenta que apenas a Câmara dos Deputados “bem ou mal” representa o povo - diga-se que de passagem que representa muito mal.

O estopim para essa discussão vir à tona novamente foi a derrubada da CPMF pelo Senado, quando a Câmara dos Deputados já havia aprovado a prorrogação do imposto até 2011. Ou seja, mais de 400 deputados aprovaram a continuidade do tributo e apenas 40 senadores mandaram a proposta para o ralo. Isso aumentou a rivalidade entre as duas Casas. Continue lendo »

Interesses cruzados: reforma tributária e biscoitos Mabel

2 junho, 2008 por Luiz Valério

Ao que parece, a visita do relator da PEC da reforma tributária a Roraima teve dupla finalidade. Sandro Mabel, no incío do evento no qual discorreu sobre o projeto apresentado pelo governo, falou mais da sua intenção de abrir uma fábrica de biscoitos Mabel no estado do que qualquer outra coisa.

De olho no mercado da Venezuela, Mabel disse que está em estudo no setor de planejamento da sua empresa a possibilidade de trazer para Roraima uma filial da sua marca de biscoito. O parlamentar possui cinco indústrias do ramo espalhadas pelo Brasil.

No entanto, um dos entraves para que isso ocorra é a dificuldade para fornecimento de trigo e açúcar, matérias-primas para a produção de biscoitos, em Roraima.

O deputado Luciano de Castro, que intermediou a vinda de Sandro Mabel ao estado, disse que ele tem interesse em investir em Roraima, vislubrando o mercado venezuelano, mas que será preciso melhorar a logística para o oferecimento de trigo e açúcar.

Pobre política

24 maio, 2008 por Luiz Valério

A política partidária brasileira é mesmo risível. O PT tido e havido como um partido ético, antes da chegada ao poder, se revelou um ninho de ratazanas que trouxe desencanto a milhões de brasileiros. Isso abriu precedentes para que empulhações travestidas de agremiações partidárias com o Democratas (antigo PFL, de Antônio Carlos Magalhães, de triste memória) e o PTB de Roberto Jeffeson apareçam nos veículos de comunicação como os guardiões da moral e dos bons costumes da República. Seria trágico, se não fosse cômico.

Os campeões da desfaçatez (ou Crônica Irada)

23 maio, 2008 por Luiz Valério

Os inquilinos do Congresso Nacional conseguem se superar a cada dia no quesito desfaçatez. Não satisfeitos com o aumento recente da verba de gabinete, agora nossos “representantes” espertinhos do Senado estão almejando, novamente, aumentar a verba de gabinete para criar um tal cargo de assessor de confiança para os 81 senadores. Esse novo ente mentalizado pelos parlamentares teria um salário integral de R$ 9.979,24. A soma do salário desse assessor especial em todos os gabinetes dos senadores, lideranças partidárias e membros da Mesa Diretora, custará mensalmente aos cofres públicos, se aprovado, nada menos que R$ 900 mil.

Parece brincadeira. Há poucos dias, uma mente infeliz que perambula pelo Congresso (perambula, sim, porque trabalhar esse pessoal não trabalha) teve a idéia de jerico de apresentar uma proposta instituindo um tal “auxílio funeral” para deputados. Percebendo o tamanho da besteira que propunham, o projeto foi abortado ainda no nascedouro. Eu até concordo que se crie um “auxílio funeral” para esses meninos gananciosos. Mas com uma conduição: que todos morram de uma vez e vão usar de tanta calhordice nas profundezas do inferno. Até aceitaria contribuir, só para não ter o desprazer e ouvir esse tipo de gente posando de político sério. Calhordas, todos calhordas, quase sem enhuma excessão. Continue lendo »

Morre o senador Jefferson Péres. Menos ética no Congresso.

23 maio, 2008 por Luiz Valério

 

O senador pelo Amazonas Jefferson Péres (PDT) faleceu hoje, em Manaus, de parada cardíaca. Ao longo da sua vida política - que já havia anunciado, encerraria em 2010, com o fim do seu mandato, por puro desencanto com a política - demonstrou ser um homem ético. Uma daquelas pessoas que perdem para ganhar, que não abrem mão dos seus princípios nunca. Abaixo, algumas citações do senador sobre questões cruciais do Brasil de hoje:

A opinião do senador sobre a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol:
 
- O governo brasileiro cometeu um grave equívoco ao fazer a demarcação de uma área tão extensa em áreas contínuas. Dir-se-á que as populações indígenas precisam de grandes áreas devido ao seu modo de vida. Mas, no caso da Raposa Serra do Sol, a situação é completamente diferente. Os partidários da demarcação contínua tentam demonizar os opositores, colocando uma falsa questão: seriam, de um lado, os índios e, de outro lado, os arrozeiros. É uma dicotomia falsa esta: são milhares de índios contra alguns poucos arrozeiros. Isso é fantasia, não existe esse perigo. Agora, que reservas como essa, naquela fronteira difícil, complicada, presa de um narcotráfico, das poderosas organizações criminosas de narcotraficantes com muito dinheiro e muito poder de corrupção daquelas populações que lá vivem, não sei que futuro nos aguarda (22/04/2008)

Jefferson Péres sobre o prestígio e a credibilidade do Congresso:

- Vejam que País é este. Estamos aqui com seis Senadores em pleno mês de agosto, porque estamos em recesso branco. Estamos aqui no faz-de-conta. Este é o País do faz-de-conta. Estamos fingindo que fazemos uma sessão do Senado, estamos em casa sem trabalhar. Tenho quatro anos de Senado. Não me candidatarei em 2010, não quero mais viver a vida pública. Vou cumprir o mandato que o povo do Amazonas me deu, não vou silenciar. (30/08/2006)

- A classe política, nem se fala, essa já apodreceu há muito tempo mesmo. Este Congresso que está aqui, desculpem-me a franqueza, é o pior de que já participei. É a pior legislatura da qual já participei. Nunca vi um Congresso tão medíocre. Claro, com uma minoria ilustre, respeitável, a quem cumprimento. O meu desalento é profundo. Infelizmente, eu gostaria de estar fazendo outro tipo de pronunciamento, mas falo o que penso, perdendo ou não votos - pouco me importa. Aliás, eu não quero mais votos mesmo, pois estou encerrando a minha vida pública daqui a quatro anos, profundamente desencantado com ela. (30/08/2006)

Leia mais discursos célebres e extremamente lúcidos de Jefferson Péres no Blog do Noblat.

Imagem: O GLOBO.

FHC se diz magoado com Lula

18 maio, 2008 por Luiz Valério

“Será que você não está vendo o que está acontecendo? Você acha que tem cabimento nós chegarmos a esse grau de mesquinharia, dadas as relações que nós sempre tivemos, que sempre foram boas? Lula, você não acha que chegou o momento de pensar maior? O Brasil está indo para um outro patamar e a política está indo para o buraco. Não dá para a gente pensar grande? Não dá para haver um debate sobre temas importantes - o que vamos fazer com essa riqueza petrolífera que está aí, por exemplo? Eu estou disposto a entrar nesse debate, seria um grande debate nacional, sim”.

Este é um trecho da entrevista concedida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao repórter Ricardo Kotscho, do portal IG.

As palavras de FHC parecem meigas, dóceis, mas não confio muito na docilidade do ex-presidente. Na entrevista a Kotscho - que tive o prazer de conhecer pessoalmente esses dias aqui em Roraima - FHC se diz magoado com o presidente Lula, devido ao vazamento de informações sobre gastos pessoais feitos na sua gestão.

Ora vamos. E tudo o que os partidários de FHC têm feito a Lula? O que FHC acha da oposição canalha e de rabo de palha comandada pelo DEM e pelo PSDB que tenta derrubar o presidente a qualquer custo? Somente na hora em que é vítima do próprio veneno tucano é que Fernando Henrique se acha magoado?

Confesso que tenho meus desencantos com o governo Lula. Votei no presidente-metalúrgico acreditando que ele promoveria uma ruptura com o modelo político-econômico-financeiro vigente no Brasil. Mas ele apenas mimetizou a politica econômica do seua ntecessor. Foi uma mudança que não mudou nada.

Logo, Lula deveria ser brindado e saldaodo pelo tucanato, pois o seu governo nada mais é do que uma repetição um pouco melhorada (ou piorada, dependendo do ponto de vista do observador) da era FHC. Não há motivos para o tipo de jogo calhorda que o DEM e o PSDB fazem contra o mandatário da Nação.

E ainda vem “vossa majestade” Fernando Henrique fazer beicinho e se dizer magoado. Ora vamos. Sinceramente!

A entrevista de FHC a Ricardo Kotscho será publicada na integra no IG neste domingo.

Imagem: Jornalismo Porto Net

Marina pede prara sair. Que pena!

14 maio, 2008 por Luiz Valério


Marina Silva agora é ex-ministra do Meio Ambiente. Não suportando as pressões e resistências à sua política ambiental dentro do prórpio governo Lula, Marina pediu demissão do cargo. Com a saída da ministra, quem sai ganhando são os madeireiros e os que defendem a exploração das riquezas naturais e o progresso a qualquer custo sem se preocupar com o meio ambiente.

É preciso ler nas entrelinhas

13 maio, 2008 por Luiz Valério

Uma nota aparentemente despretenciosa numa coluna de jornal pode revelar coisas para além da intenção inicial com a qual foi escrita. É o que acontece, por exemplo, com a nota abaixo, transcrita da coluna Parabólica, da Folha de Boa Vista:

“DECISÃO
Chico Rodrigues afirmou que o DEM só decidiu fechar com Luciano Castro depois que Márcio Junqueira comunicou ao partido que não tinha mais interesse em ser pré-candidato. A decisão de retirar seu nome foi motivada pelo “efeito Quartiero”, uma vez que o rizicultor, seu principal aliado, vai concentrar esforços e disponibilidade financeira para se manter na terra indígena Raposa Serra do Sol”.

Tenho dito aqui que as vozes histéricas que bradam contra a homologação da terra indígena Raposa/Serra do Sol em área contínua não o fazem em defesa da segurança e da soberania nacionais, mas sim com o objetivo de proteger patrimônios e interesses econômico-financeiros.

Pois bem, nas entrelinhas desta nota da Parabólica pode-se ler que o deputado federal Márcio Junqueira (DEM) não passa de um defensor dos interesses do rizicultor Paulo César Quartiero, que financiou sua campanha na eleição passada.

Se não estivesse com a atenção voltada para a defesa do seu patrimônio agora, devido ao conflito que se desenrolou na Raposa/Serra do Sol, Quartiero seguramente iria, mais uma vez, financiar a campanha de Junqueira à prefeitura de Boa Vista.

Esta passagem da nota da Parabólica não deixa nenhuma dúvida quanto a isso:

“A decisão de retirar seu nome [de Junqueira] foi motivada pelo “efeito Quartiero”, uma vez que o rizicultor, seu principal aliado, vai concentrar esforços e disponibilidade financeira para se manter na terra indígena Raposa Serra do Sol”.

Entenderam? É assim que as coisas funcionam no Brasil. Surgem sempre políticos falastrões se autodenominando defensores das causas sociais/nacionais e coisa e tal quando, na verdade, estão a serviço apenas de um pequeno grupo ou de uma só pessoa. Essa é a política brasileira. O Congresso Nacional está cheio desse tipo de político.


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