A CPI da Pedofilia em Roraima e a imprensa

8 julho, 2008 por Luiz Valério

Num dos últimos momentos dos trabalhos da CPI da Pedofilia em Roraima, ontem, o senador Magno Malta (PR-ES) chegou a dar uma alfinetada na imprensa roraimense, notadamente as emissoras de televisão. Malta disse que o apresentador José Luiz Datena teria lhe cobrado imagens das oitivas da CPI, no que ele retrucou que não era dono de nehuma emissora de televisão local.

No domingo, ao final de uma entrevista coletiva, Magno Malta estranhou certa disputa entre equipes de televisão que, diga-se, não repassaram as imagens para as cabeças de rede. Então, o senador foi informado por um jonralista roraimense de que as emissoras de televisão locais que retransmitem a programação da a TV Bandeirantes, Rede Record e SBT pertencem ao senador Romero Jucá (PMDB) e ao deputado federal Luciano de Castro (PR). “O queeeeeê?”, espantou-se Magno Malta.

Mal sabe o senador que não só essas três empresas, mas a grande maioria dos veículos de comunicação roraimenses (rádio, jornal, televisão e internet) ou pertencem ou estão ligados a grupos políticos, representante de todas as esferas de poder. Talvez por isso, Malta fez questão de frisar nas duas entrevistas coletivas que entre os citados nos depoimentos reservados dos acusados estão jornalistas e proprietários de empresas de comunicação. Então, tá.

CPI da Pedofilia: o que foi e o que precisa ser

8 julho, 2008 por Luiz Valério

O clima em Roraima voltou ao normal depois da ruidosa passagem da CPI da Pedofilia pelo estado. Foram três dias (sábado, domingo e segunda) de muitas expectativas, poucas novidades tornadas públicas sobre o esquema de exploração sexual de crianças e adolescentes, muitos comentários e cogitações de bastidores.

Mas outras novas pistas e indícios certamente foram repassados à CPI nos depoimentos reservados. O surgimento de mais uma aliciadora, a cafetira Kelly Kuillin Freitas, deve trazer muito mais subsídios ao trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal. Afinal, Roraima tem um triste histórico de tráfico de meninas pra a Guyana, Venezuela e Holanda e Kelly deve saber de muita coisa.

Por outro lado, os organismos de segurança precisam garantir a vida das testemunhas, principalmente Lidiane Foo, Ivone Salucci, Tarcísio Vital, Socorro Santos e Augusto amaral, que tiveram seus nomes listados num bilhete ameaçador, conforme leitura feita ontem durante os trabalhos da CPI pelo senador Magno Malta (PR-ES).

A vinda da CPI não é garantia de que o caso será desvendado na sua totalidade. Será preciso que a sociedade local permaneça vigilante e cobre das autoridades uma resposta para esses horrendos crimes cometidos contra ciranças e adolescentes.

O movimento “Mães Contra a Pedofilia” precisa continuar ativo e ocupando os meios de comunicação com ações e cobranças para que o caso não caia no esquecimento. A revelação de que há jornalistas e proprietários de meios de comunicação envolvidos no esquema é fator preocupante, mas também mais um motivo para que a cobrança e a vigilância seja redobrada. Sobre essa fato, curiosamente houve site e jornalistas que não escreveram uma linha sequer sobre os trabalhosd a CPI.

A imprensa só tem razão de ser quando cumpre o seu papel social de informar eficientemente à sociedade. Mas não só isso: é preciso se colocar à disposição dessa mesma sociedade para reverberar os seus clamores, as suas angústias e as suas necessidade sem sensacionalismo e com muita seriedade. A imprensa tem que ser educadora e instrutora do povo, que no Brasil, tem o seu direito a uma educação de qualidade negado.

Os próximos passos das investigações da CPI, MInistério Pùblico e Polícia Federal sobre o esquema de pedofilia descoberto parcialmente em Roraima serão decisivos para demontar efetivamente todo essa máquina de deformação humana que foi construída no estado com a participação de autoridades, políticos, advogados, médidos, jornalistas e cafetinas.

Até agora, avançamos apenas alguns centímetros para além da ponta do monstruoso iceberg.

Frase do dia

7 julho, 2008 por Luiz Valério

“Eu já estou na merda, não tenho mais porque mentir”

Lidiante Foo, ao atestar a veracidade do seu depoimento ao senador Margno Malta

CPI conclui trabalho em Roraima, mas oitivas continuam em Brasília

7 julho, 2008 por Luiz Valério

Magno Malta: entrevista depois do encerramento dos trabalhos da CPI em Roraima

Atualizado e revisto às 20h08 - O presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta (PR-ES), afirmou agora há pouco em entrevista coletiva à imprensa, após o encerramento dos trabalhos da comissão no estado, que existe a gravação de uma conversa telefônica entre o advogado e conselheiro da OAB em Roraima, Alexsander Ladislau, e o ex-procurador do estado, Luciano Alves Queiroz, que compromete o membro da Ordem dos Avogados do Brasil. O conteúdo da gração não foi detalhado por Malta. O senador observou que Ladislau estava sendo convocado antes mesmo da prisão de Luciano Queiroz.

De acordo com o presidente da CPI, foi feito um acordo ele e o presidente nacional da OAB, Cezar Britto, para que Alexsander Ladislau preste depoimento em Brasília. O senador afirmou que a OAB concordou em não aceitar o habeas corpus apresentado pelo advogado. ”Nós acordamos em não trazê-lo coercitivamente para depor e o presidente da OAB se comprometeu em apresentá-lo à CPI em Brasília”, explicou Malta.

Mais citados

Magno Malta disse que Lidiane Foo não é a única a liderar a rede de pedofilia em Roraima. Segundo ele, existe muito mais gente envolvida no esquema. “Existem outros que fazem parte de um grande grupo de empresas de molestadores de crianças e adolescentes”, frisou. Conforme Malta, entre os citados há “jornalistas, dentistas, médicos, políticos, vendedores de feira e proprietários de empresas de comunicação”. Ele não descartou a possibilidade de que com o andar das investigações haja novas prisões.

Ao encerrar os trabalhos da CPI em Roraima, Malta pediu que a sociedade local fique atenta à segurança de Lidiane Foo. “Ajudem com os olhos. Nós não vamos querer ver manchetes de jornal dizendo que “a moça que falou à CPI da Pedofilia foi assassinada”, comentou. “Visitem a filha de Lidiane”, pediu em seguida. O senador disse que tudo que foi prometido a Lidiane será cumprido pela CPI.

Citando a sua própria condição de ex-drogado, Malta disse que Lidiane pode construir um futuro diferente para ela. “Quando você entrou para depor no sábado, ouviu palavras de baixo calão e vaias. Quando resolveu ficar do lado do bem e falar a verdade, o posicionamento das pessoas em relação a você mudou completamente”, argumentou.  

Malta disse que será dado início à investigação das adolescentes de famílias ricas que também são usadas pela rede de pedofilia. A Polícia Federal e o Ministério Público Estadual vão dar continuidade à investigação.

Avaliação dos trabalhos

Malta avaliou o trabalho da CPI como “muito positivo”. Disse ter sido um trabalho feito com base numa investigação séria e que o fato de Lidiane Foo ter aceito a oferta de entrar no Programa de Proteção a Testemunha ajudou bastante a coletar mais informações importantes.

Quanto ao deputado federal Luciano de Castro (PR), Malta disse que ele se apresentou espontâneamente à CPI pedindo para ser ouvido e que a sua oitiva se dará em Brasília, quando do retorno da CPI à capital federal. “A melhor coisa para quem é citado é querer ser ouvido”, afirmou o senador.

O advogado Silas Cabral, que não compareceu para acompanhar seus clientes nos interrogatórios, também será ouvido em Brasília, principalmente depois que Lidiane Foo o acusou de tê-la orientado a mentir para a CPI com a finalidade de proteger o empresário José Queiroz da Silva, o Carola.

Foto: Abraão Borges

Rede de pedofilia faz segunda vítima no Conselho Tutelar

7 julho, 2008 por Luiz Valério

Por Wilson Barbosa (*)

A rede de pedofilia que foi desbaratada pela Polícia Federal no mês passado, se é que foi mesmo desbaratada, causou a segunda vítima no Conselho Tutelar. O conselheiro Tarcisio Vital que deixou Roraima por ter sido ameaçado de morte, após revelar o envolvimento de pessoas influentes nos crimes de pedofilia no Estado.

O ex-presidente do Conselho Tutelar, Leandro Farias chegou a fazer denúncias graves sobre o envolvimento de políticos, empresários além de pessoas que trabalhavam na época em órgãos públicos com uma rede de pedofilia. Entretanto as palavras de Leandro não foram levadas em conta pelas autoridades do Estado.

Após denunciar o esquema de pedofilia em Roraima no extinto jornal BrasilNorte, Leandro foi sequestrado e espancado por várias horas. Após horas ele conseguiu manter contato com a direção do BN que acionou a Polícia. Após prestar queixa sobre as torturas sofridas, Leandro foi novamente ameaçado de morte e temendo por sua vida, tratou de fugir der Roraima. Continue lendo »

Donos de empresas de comunicação, parlamentares e jornalistas foram citados em depoimentos

6 julho, 2008 por Luiz Valério

Ao encerrar a fase de oitivas deste domingo o presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta (PR-SC), concedeu entrevista à imprensa. Ele conversou com os jornalistas e disse que amanhã vai confrontar todos os acusados para apurar as contradições havidas nos depoimentos. O senador disse que quem não conseguir ser ouvido até amanhã terá que prestar depoimento em Brasília.

Ao ser questionado sobre a situação do conselheiro da OAB, Alexsander Ladislau, Malta afirmou que o advogado sabe o motivo de ter sido citado. De acordo com o senador, “quem chegou a ser citado é porque já foi investigado”.

O presidente da CPI afirmou que nos depoimentos secretos foram citados nomes de parlamentares de todas as esferas, empresários, militares, proprietários de veículos de comunicação e jornalistas. Todos serão investigados.

Conselheiro da OAB diz que vai processar Magno Malta

6 julho, 2008 por Luiz Valério

O advogado e conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Roraima, Alexsander Ladislau, disse agora há pouco à Folha de Boa Vista que não foi convocado há duas semanas pela CPI da Pedofilia para depor como testemunha. Ladislau afirmou que devido a exposição pública do caso feita pelo senador Magno Malta, ele vai processar o presidente da CPI, alegando danos morais. Magno Malta chegou a afirmar durante as oitivas das testemunhas e acusados que mandaria conduzir o conselheiro da OAB coercitivamente para prestar depoimento.

Malta suplica que desembargadores neguem liminar para advogados de pedófilos

6 julho, 2008 por Luiz Valério

Desde ontem o Plenário da Assembléia Legislativa está completamente tomado por pessoas que acompanham a tomada de depoimentos dos acusado de participação no esquema de pedofilia

Terminou agora interrogatório de Jacson Ferreira do Nascimento, também apontado como envolvido no esquema de pedofilia em Roraima, desmontado pela Polícia Federal no mês de junho.

No começo da sua oitiva, Jackson negou conhecer Lidiane Foo (este foi o expediente utilizado por todos os acusados), mas o presidente da CPI da Pedofilia senador Magno Malta (PR-SC) colocou no serviço de som da Assembléia Legislativa a gravação de uma ligação telefônica a cobrar de Jackson Nascimento para Lidiane Foo, requisitando uma dolescente para programa.

“Não há nada que você possa desmetir que não tenhamos prova, disse o senador Malta.

Em seguida ele repetiu um apelo feito aos desembargadores do Tribunal de Justiça de Roraima já feito ontem:

“Eu peço pelo amor de Deus que os desembargadores não concedam liminar para advogados de pedófilos”.

Foto: Platão Arantes

Magno Malta pede que desembargadores sejam rígidos com pedófilos

5 julho, 2008 por Luiz Valério

O senador e presidente da CPI da Pedofilia Magno Malta (PR-SC) disse agora há pouco que tem conversado com os desembargadores de todos os estados por onde passa, solicitando que eles não concedam liminar a advogados de pedófilos. Ontem à noite, Malta também se reuniu com o presidente do Tribunal de Justiça de Roraima, Robério Nunes dos Anjos, fazendo o mesmo apelo.

“Não soltar um pedófilo é fazer bem a ele mesmo, porque a sociedade está indignada e daqui a pouco um pedófilo na rua acabará sendo morto pelo povo”, disse o presidente da CPI.

O senador também afirmou que o movimento “Mães contra a pedofilia” poderá servir de exemplo para o Brasil e ajudar a melhorar a imagem de Roraima. “Então, peguem esse limão azedo que vocês têm nas mãos [o escândalo do esquema de pedofilia] e façam uma limonada”, apontando que o movimento de mães pode ajudar a acabar com a impunidade para crimes horrendos como a pedofilia.

“Quem tem coragem de abusar de uma criança de três meses, penetrar uma criança de três anos e engravidar uma de 12 é um desgraçado. A pedofilia no Brasil está nas colunas sociais, mora em condomínios de luxo, veste toga, tem patente e mandato, faz culto e celebra missa”, falou, salientando que esse tipo de crime não é apenas “coisa de pobre”, como era dito no passado.

 

Lidiane se recusa a falar abertamente sobre rede de pedofilia

5 julho, 2008 por Luiz Valério

Lidiane Foo, no início da sua oitiva, antes de se decidir pelo depoimento reservado a Magno Malta (Foto - Platão Arantes/Ascom-ALE)

Começou acerca de meia-hora a oitiva de acusados e testemunhas do caso de pedofilia desbaratado pela Polícia Federal em Roraima. A primeira a ser ouvida seria a dona-de-casa Lidiane Nascimento Foo, apontada como líder do esquema, mas ela preferiu falar de forma reservada ao presidente da CPI, Magno Malta (PR-SC), em troca da sua inclusão no Programa de Proteção à Testemunha.

As dezenas de pessoas presentes no plenário da Assembléia Legislativa de Roraima não gostaram de saber que não vão tomar conhecimento das declarações de Lidiane. Mas o depimento reservado é um direito da depoente e isso precisa ser respeitado, até porque faz parte das normas da CPI.

O senador Magno Malta disse que os crimes dos quais Lidiane é acusada, juntos, já somam mais de 200 anos de prisão e que, por isso, ela poderia ser beneficiada com a redução da pena e a sua inclusão no PPA, caso decidisse falar tudo o que sabe. Ela aceitou, frisando que preferia falar reservadamente, pois teme pela sua vida tanto dentro como fora da cadeia.

O advogado de Lidiane Foo, Silas Cabral, não compareceu à Assembléia Legislativa para acompanhar a oitiva da sua cliente e o senador Magno Malta teve que nomear um substituto. O presidente da CPI advertiu Lidiane de que ao aceitar ser incluída no Programa de Proteção à Testemunha ela não pode mentir e o benefício só passará a valer quando for comprovada a veracidade das informações por ela prestadas.

Lidiane chegou a interromper a fala do senador Magno Malta para dizer que também foi usada pelo esquema de pedofilia.

“Temos que olhar para Lidiane também como vítima de uma sociedade vil e indecente”, disse Malta.

Laudo paralelo diz que Cesinha foi assassinado

5 julho, 2008 por Luiz Valério

José Nazareno (camisa verde), irmão do policial Cesinha, junto a família indignada na Assembléia Legislativa de Roraima

Um novo elemento técnico pode mudar os rumos da investigação em torno da morte do policial Júlio César Cavalcante, o Cesinha, preso pela polícia quando coagia testemunhas que poderiam incriminar os envolvidos no esquema de pedofilia desmontado pela Polícia Federal, no mês de junho.

Cesinha morreu quando estava preso no 4º Distrito Policial, com um tiro no peito. A família nunca acreditou na tese de suicício. Desde então tem denunciado na imprensa a possibilidade de queima de arquivo.

Agora há pouco, o irmão mais novo de Cesinha, José Nazareno Cavalcante Teles  disse ao blog que a família encomendou a realização de um laudo paralelo, através do advogado Nilter Pinho, contratado pelos parentes do policial morto.

O laudo, segundo ele, aponta que o tiro que vitimou Cesinha foi disparado de cima para baixo. Isso anularia a possibilidade de suicídio, conforme as afirmações de José Nazareno ao blog.

“A família nunca acreditou em suicídio. Então, fomos à OAB e ao Ministério Público Estadual, por meio do nosso advogado, e requeremos a realização de um laudo paralelo. A peça que está com o nosso advogado aponta que o disparo foi feito de cima para baixo, o que tira qualquer possibilidade de suicídio”, comentou.

O irmão do policial disse que, ainda não satisfeita com o laudo, a família vai requerer do presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta (PR-SC), e da justiça roraimense a exumação do corpo de Cesinha para comprovar a tese dos parentes de que ele foi de fato assassinado, como queima de arquivo.

Frase do dia

5 julho, 2008 por Luiz Valério

“Eles [os pedófilos] são a própria degradação da humanidade. São capazes de atos intoleráveis, indigestos, nojentos e para piorar quem nos surpreende é quem a gente acha que nunca vai nos surpreender” 

 senador Magno Malta, presidente da CPI da Pedofilia

‘CPI precisa dar uma resposta à sociedade roraimense’

5 julho, 2008 por Luiz Valério

As mães Jacqueline e Cristiane, indignadas com o esquema de pedofilia

Integrantes do movimento “Mães Contra a Pedofilia” começaram a chegar aqui na Assembléia Legislativa para acompanhar o trabalho da CPI da Pedofilia que veio a Roraima ouvir vítimas e acusados do esquema desbaratado pelo Ministério Público e Polícia Federal, no mês de junho.

A estudante estudante universitária Jacqueline Vieira e a funcionária pública Cristiane Oliveira disseram ao blog esperar que a CPI presidida pelo senador Magno Malta (PR-SC) dê uma resposta à sociedade roraimense, quanto a esse esquema dantesco cujos participantes usavam crianças e adolescentes com idade entre 6 e 14 anos em programas sexuais.

“Nós esperamos que não fique só na conversa, que a CPI dê uma resposta a altura, pois esse escândalo escabroso mexe com as famílias e com as nossas crianças. Se nós não cuidarmos das famílias e das crianças, onde é que vamos parar?”, fala indignada Jacqueline Vieira.

Cristiana Oliveira, por sua vez, afirma ser assustador o fato de saber que pessoas cicrulam na sociedade, com a sua aparência insuspeita, mas se mostrando capazes de acabar com a vida de crianças indefesas.

“Como se consegue olhar pra crianças de seis anos com maldade. Essas pessoas desestruturaram famílias e acabaram com a vida de muitas crianças. Essas meninas serão pessoas adultas cheias de traumas”, lamenta.

O blog fará a cobertura dos trabalhos da CPI e este editor estará postando notas a cada momento quando as informações importantes justificarem uma nova postagem.

Querem transformar vítimas em algozes

26 junho, 2008 por Luiz Valério

Hoje conclui a matéria que será veiculada no semanário Monte Roraima, no próximo final de semana. Para produzir o material conversei com a amazonense de 1,58 metros, Ivone Salucci, que apesar da baixa estatura é uma gigante determinada a lutar contra a exploração sexual de crianças e adolescentes.

Ivone, que representa em Roraima o Comitê Nacional de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, resolveu falar à imprensa por não concordar com as tentativas, por parte das pessoas acusadas de participar do esquema de pedofilia, de desqualificar as investigações iniciadas pelo Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente e do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, do qual ela também faz parte.

Foram as pesquisas feitas desde 1997 e 2002 por esses órgãos que subsidiaram o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público, culminando com a “Operação Aarcanjo”, desencadeada no início deste mês junho de 2008.

Ivone Salucci disse que já nas pesquisas de campo iniciadas há mais de uma década pelo Conselho Tutelar o nome das pessoas detidas pela PF e apontadas pelas vítimas em seus depoimentos apareciam como exploradores sexuais de crianças e adolescentes. “Nós, conselheiros, sabíamos de tudo, mas não tínhamos como provar”, afirmou.

Coube então ao Ministério Público, junto com a Polícia federal, sair a campo para continuar as investigações e coletar provas para pôr fim a esse esquema aboninável de pedofilia. Mas, mesmo diante de um crime tão chocante como esse, surgem pessoas dispostas a tentar intimidar os que tiveram a coragem de denunciar.

Tem razão Ivone Salucci quando diz que:

“A nossa sociedade é um tanto esquizofrênica. Por um lado cobra medidas contra a violência e, por outro, vem um ‘bando” de gente que se diz da elite querendo desqualificar a operação”.

Ainda como ressaltou a conselheira, os dados estão nas mãos da justiça e agora cabe aos acusados provarem a sua inicência sem, no entanto, querer transformar as vítima - meninas de seis a 13 anos - em algozes.

PS 1 - no sábado postarei a metéria completa com Ivone Salucci aqui no blog.

PS 2 - desde ontem não consiguia postar nada aqui blog. Problemas com a internet e com o login do site.


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