Quando se abre mão de usar a razão para susbstitui-la por atitudes insanas, o resultado não pode ser dos melhores.
Faz tamepo que eu estou dizendo que não seria aconselhável nem correto os rizicultores medirem forças com a Polícia Federal na questão da desintrusão da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol.
Primeiro, porque a atitude se configura em desobediência civil; depois, porque incitação à violência é crime, e quando o alvo da ação criminosa é o governo federal, a situação fica ainda mais delicada. Quem quer ter razão em uma questão não pode abrir espaço para ser tachado de criminoso.
Pois é, veja só no que deu: queima de pontes da região do Surumú, dentro da Raposa/Serra do Sol, ocupação a sede da PF e confronto com os policiais.
Como resultado, o filho do rizicultor Paulo César Quartiero, Renato Quartiero, 24, acabou atingido por uma bomba, ficando com a mão e um olho seriamente prejudicados.
Por outro lado, Paulo César, o seu pai, foi detido pela Polícia Federal por desacato. Como se diz na gíria popular, essa era uma pedra que eu já cantava há muito tempo.
Homem de jeito rude, Paulo César Quartiero tenta se colocar acima das forças policiais e passou a liderar uma resistência contra a desintrusão da Raposa/Serra do Sol, pregando, inclusive, o confronto armado.
Uma insanidade completa. O mais correto seria tentar lutar na Justiça por uma indenização condizente com o que ele considera ser de direito.
Por outro lado, cito aqui uma colocação feita outro dia pelo governador Anchieta Júnior (PSDB), segundo a qual os rizicultores ocuparam a região da Raposa/Serra do Sol mesmo sabendo que se tratava uma terra requerida pelos índios. Ou sejam entraram de forma ilegal.
Se construíram benfeitorias, o fizeram sabendo que poderiam vir a perder tudo um dia, quando, finalmente, a Terra Indígena fosse homologada. Veja só no que deu. Agora Paulo César Quartiero sente a dor de ter um filho ferido no confronto com a polícia e ainda amarga o dissabor de ser detido por desacato.
Este é o preço da insanidade.
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