O burburinho do momento aqui em Boa Vista (RR) é a insatisfação de parte do funcionalismo público em relação ao aumento concedido a determinadas categorias de servidores e a outras não.

Não suportando a presão dos policiais civis, que sempre chantageiam o governo com ameaça de greve, o governador Anchieta Júnior concedeu um aumento de 45% aos delegados, sendo que os agentes de polícia receberam uma correção inferior.

Logo, a insatisfação já começou por esse tratamento diferenciado dentro da própria Polícia Civil.


Agora, outra parcela do funcionalismo público já ameaça paralisar as atividades porque não foi beneficiada pelo aumento salarial.

A secretária de Gestão Administrativa, Ana Lucíola, foi entrevistada pela jornalista Eudiene Martins, ao meio dia de hoje, em seu programa na Rádio Tropical FM, e disse que outras categorias de servidores também terão aumento. Que os projetos a serem enviados à Assembléia Legislativa estão em elaboração.

Houve uma categoria, que é estratégica para o desenvolvimento de qualquer estado, de qualquer nação que se pretenda desenvolvida ou que busque o desenvolvimento, que também ficou de fora do aumento: a de professor.

É bem verdade que os profissionais de educação foram beneficiados com um Plano de Cargo, Carreira e Remuneração, no ano passado. Mas se formos comparar os salários de um professor com o de um delegado de polícia, por exemplo, dá para entender a insatisfação.

Veja só: um professor ganha um salário mensal de R$ 1.547,00 por 22 horas/aula. Recebe ainda uma gratificação de pouco mais de 500 reais, perfazendo um salário total de dois mil e pouco. Sobre o salário base dos professores ainda é descontado 11% para o Instituto de Previdência do Estado de Roraima (IPER), dinheiro esse que ninguém sabe explicar como é aplicado.

Enfim, 2.000 e poucos reais pagos a um professor é bem diferente de um salário de mais dos 8.000 reais recebidos por um delegado de polícia. É a velha desvalorização da educação num país aonde o ensino sempre vai de mal a pior.