Cônica de uma tragédia anunciada (mas que não aconteceu. Ainda bem)

19 maio, 2008 por Luiz Valério

A população de Boa Vista continua apreensiva com as informações divulgadas no final da manhã, segundo as quais um forte temporal cairia sobre Boa Vista (RR) na tarde desta segunda-feira (19). O temporal viria da região leste do estado, lá dos lados do município de Bonfim e da Guiana Inglesa.

 

Um comunicado da meteorologia chegado ao Governo do Estado dando conta de que a cidade seria varrida por forte ventania e chuva diluviana fez com que todos os servidores públicos fossem liberados do trabalho no início da tarde.

Antes mesmo do meio dia, os funcionários da Assembléia Legislativa foram igualmente dispensados. “Vão para casa. Vem aí uma tempestade. Que Deus nos proteja”. Era o que se ouvia pelos corredores do Poder Legislativo. Tinha até horário previsto para a catástrofe: por volta das 15h00.

Autoridades municipais foram para as emissoras de rádio advertir para que as pessoas evitassem sair de casa de carro. Este repórter-blogueiro conversou com várias pessoas que demonstravam pavor diante das informações divulgadas. Emissoras de televisão reverberavam a notícia.

As escolas e faculdades liberaram os alunos. Logo, o Centro de Boa Vista ficou esvaziado. Para alívio da população, tudo não passou de alarme falso. Caiu apenas uma chuva, digamos, mediana, sem vento nem nada.

O episódio me fez lembrar da encenação de Orson Welles, que num programa de rádio deixou Nova Yorque em Pânico, divulgando notícias segundo as quais a terra estava sendo invadida por extraterrestres. Era o fim do mundo.

Bom humor a parte, ainda por volta das 18h30 voltei a conversar com populares e havia uma nova previsão. Por algum motivo, a tempestade havia atrasado o seu ritmo rumo a Boa Vista. As notícias e epreensões agora se voltavam para a meia-noite.

Neste instante em que escrevo são 19h40. Valha-nos Deus!

Dêem o título que quiser

7 maio, 2008 por Luiz Valério

Adotei Roraima como terra de morada e trabalho em 2002, quando cheguei vindo do Ceará.
Esta é uma terra boa pra se viver, um estado jovem que pode dar certo, caso a qualidade dos seus homens públicos melhore. A situação hoje é precaríssima.
Minha postura em relação aos gestores do destino de Roraima é cética, porque devido ao isolamento do restante do país é perceptível como boa parte dos políticos locais tratam a coisa pública como se fosse o quintal da sua casa.
Acho engraçado os olhares enviezados que recebo, quando exponho minha opinião sem nenhum sofisma com relação a temas polêmicos do dia-a-dia local.
Tenho sempre a impressão que a maioria das pessoas não entende a minha posição, sempre crítica e sem pender para um ou outro lado.
Desde muito jovem, nunca gostei de fazer parte de grupos, facções, partidos, sindicatos, associações, religiões, etc. Gosto de pensar por mim mesmo. Certo ou errado, mas seguir o que considero ser o caminho.
Por isso não me prendo a ideologias, não defendo lados e sempre busco analisar as questões de forma fria, racional, criticando o que deve ser criticado e reconhecendo o que deve ser reconhecido como virtuoso. Não estou preocupado em agradar.
Mas aqui em Roraima o comum é ter um lado, defender um grupo, se doar a esse grupo e para muitos puxar saco, lamber botas, servir de capacho. Não faz parte da minha personalidade ser assim. Por isso fico meio à deriva, uma ovelha sem rebanho.
O que escrevo incomoda porque escamotear a verdade, esconder pensamentos e sentimentos é o habitual para se dar bem por aqui. A sinceridade atrapalha. Dizer verdades é pecado, motivo para exclusão. Mas não ligo, sou uma atalho de mim mesmo. Quando fecham-se as portas, trato de quebrar a parede e fazer a minha própria passagem. Tem sido assim desde sempre.


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