O que leva homens endinheirados a usar crianças de seis anos de idade como objeto sexual, quando o seu dinheiro pode fazê-los ter a mulher que desejar? Tara, loucura, compulsão, desumanidade, falta de vergonha? E o que faz uma mãe agenciar a própria filha - uma criança de apenas seis anos - para uma rede de pedófilos? Necessidade, falta de amor materno, gana por dinheiro? Não dá para responder. Também não quero julgar. Mas casos desse tipo me causam a mais profunda repulsa e indignação.
Fico a me perguntar como um procurador geral de um estado, empresários bem sucedidos, um policial militar, uma mãe - meu Deus, uma mãe! - podem usar criancinhas inocentes na prática repugnante da pedofilia. Tenho filhos. Aliás, tenho uma filha, e fico profundamente preocupado ao ver que homens aparentemente normais e acima de qualquer suspeita podem se revelar seres nocivos à vida social.
Eu cobria a “Operação Arcanjo” hoje pela manhã para a rádio e jornal Monte Roraima e ouvi da boca dos acusados que chegam escoltados pelos agentes da Polícia Federal que eles eram inocentes. Momentos depois os federais traziam fitas VHS com as imagens que supostamente comprovam a participação dos envolvidos na rede de pedofilia desbaratada. Foram seis meses de investigação.
Noticiei com uma amargura profunda o fato da dona-de-casa Lidiane Nascimento Foo ser a aliciadora da própria filha de tenra idade de seis anos para ser usada como objeto sexual por homens de mentes pervertidas. Não bastasse isso, ela ainda é acusada de sair à busca de mais vítima nas portas das escolas. Meu Deus, que mundo é ésse? Que gente é essa?
Claro que eles são apenas acusados. A Justiça ainda vai dizer se são culpados ou não. Porém, há farto material que segundo os promotores públicos Luiz Antônio Araújo de Souza e José Rocha Neto, comprovam o crime de pedofilia praticado pelas oito pessoas presas. E o pior: as crianças ainda eram induzidas a usar droga pesada, cocaína.
É cedo para qualquer posição de julgamento. Mas se a Justiça conseguir realmente provar a culpa dos acusados, eles terão que pagar pelo crime que cometeram. Afinal, como disse o promotor José Rocha Neto, são crianças “que estavam tendo suas vidas destruídas pela iniciação sexual precoce e plo uso de drogas”.
Que a posição social dos envolvidos não seja usada para conceder-lhes o direito de ficar impunes. Que as vozes que sempre defendem a tal “elite afrontada pela ação da PF” não venham com sua ladaínha corporativista e hipócrita. Se eles tiveram estômago suficiente para abusar de criancinhas, que tenham também para aguentar a insalubridade da prisão. Que a polícia trabalhe direito para não cometer injustiças e que a Justiça seja célere na apreciação do caso.
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