A revisão da demarcação da RSS é uma possibilidade

18 agosto, 2008 por Luiz Valério

Ao que parece, o Supremo Tribunal Federal irá mesmo optar pela revisão da demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol (RSS). Nós estamos a menos de dez dias para que conheçamos a decisão do STF, mas o presidente da Corte Gilmar Mendes deu hoje um sinal de que a tão esperada revisão da forma como fora feita a demarcação poderá ocorrer.

E o sinal dado por Mendes veio numa resposta às afirmações do ministro da Justiça, Tarso Genro, de que qualquer que seja a decisão do STF, esta teria “de ser executada à força”. Em entrevista concedida à Agência Brasil, Mendes disse que a decisão da Corte pode ajudar a “pacificar” conflitos entre índios e ruralistas no local.

Segundo as palavras do ministro registradas pela Agencia Brasil, “Qualquer que seja a decisão, não acredito que haja maior conflito do que já houve”. O presidente do STF afirmou ainda que a decisão que vier a ser tomada pelo STF sobre a situação da Raposa Serra do Sol tenderá a servir de exemplo para a demarcação de outras terras indígenas.

“O que o STF poderá fixar são orientações, entendimentos sobre os critérios de legitimidade para o procedimento administrativo”, ressaltou o ministro, sem dar detalhes. Ou seja, caso o STF decida pela revisão da demarcação contínua, ficará aberto o precedente para que todas as demais reservas indígenas já demarcadas e homologadas e ainda as que aguardam homologação possam ter o se processo demarcatório revisto.

No caso da fala do ministro da Justiça, segundo o qual a decisão a ser tomada pelo STF, qualquer que seja ela, terá “de ser executada à força”, o blogueiro da revista veja Reinaldo Azevedo tratou de apimentar ainda mais o debate:

Desconfio muito quando Tarso dá uma de Mãe Dinah e resolve consultar as cartas, a bola de cristal ou os augúrios. Com que isenção? Ele é praticamente um militante da causa — em favor, que fique claro, de expulsar os arrozeiros que ocupam a estupenda área de 0,7% (!!!) de Raposa Serra do Sol — isto mesmo: tanta celeuma por menos de 1%, onde, não obstante, se produzem 160 mil toneladas de arroz por ano. Praticamente ninguém reclama dos estupendos 99,3% que ficarão com os índios. Quantos? Ninguém sabe. Entre 12 mil e 18 mil.

Eu, de minha parte, tenho dito faz tempo: qualquer que seja a decisão do Supremo sobre a situação da Raposa Serra do Sol o conflito estará longe de terminar. Se o STF optar pela revisão, os movimentos indígenas devem se manifestar continuamente, como já há ensaios prévios de que não aceitarão tal decisão. Se o Supremo decidir pela manutenção da área única, serão os arrozeiros que, descontentes, colocarão seu bloco reacionário na rua mais uma vez. E desta vez temo que não fique ponte sobre ponte.

Mas só quando conhecidos os votos do ministro é que poderemos ter certeza de qual será o futuro dessa questão que tem sido tão cara e crucial para a vida político-administrativo-financeira de Roraima.

Raposa Serra do Sol em debate

14 agosto, 2008 por Luiz Valério

Lago Caracaranã, na reserva indígena Raposa Serra do Sol

O lago Caracaranã é um dos pontos mais belos da Raposa Serra do Sol 
Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

Roraima recebeu hoje integrantes da Comissão de Relações Exteriores e Segurança Nacional, da Câmara dos Deputados, para tratar sobre a necessidade de revisão da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RSS).

Os deputados federais Antonio Carlos Pannunzio, Moreira Mendes e Chico Rodrigues se reuniram com o governador Anchieta Júnior, parlamentares estaduais e autoridades do estado, na Assembléia Legislativa, para debater os prós e contras da demarcação em área contínua da RSS.

Sabe-se que está previsto para o próximo dia 27 de agosto o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da ação que pede a revisão da demarcação única. Nesse sentido, todos os atores envolvidos na questão - contra e a favor da demarcação em área única - estão se mobilizando para, de alguma forma, influenciar na decisão do STF.

A vinda dos membros da Comissão de Relações Exteriores e Segurança Nacional tem a finalidade de elaborar novo relatório sobre a situação da Raposa Serra do Sol e dos conflitos ocorridos na região, desde a homologação da reserva pelo presidente Lula da Silva. Será mais um entre tantos relatórios já feitos e apresentados ao Congresso Nacional e às autoridades judiciárias do país.

Em 2004, por exemplo, uma outra comissão enviada pela Câmara dos Deputados, cujo um dos integrantes era o então deputado Lindemberg Farias, veio a Roraima, visitou a área e elaborou um relatório que dormita nas gavetas do Congresso Nacional. Até hoje o documento nunca foi posto em votação.

Uma coisa é evidente nessa disputa ideológica que já demonstrou ter proporção internacional: as entidades indígenas carreadas pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR) se mostram muito mais articuladas e influentes que as autoridades políticas brasileiras na defesa dos eus interesses.

Enquanto os deputados roraimenses e mesmo os deputados federais e senadores ficam sempre na mesma ladaínha chorosa, as ONGs indígenas vão ao centro do Poder internacional - Organização das Nações Unidas (ONU), Organização dos Estados Americanos (OEA) e Vaticano pedir ajuda e apoio para a sua causa.

Essas instituições têm poder de influência e convencimentos sobre os chefes de estado a elas associados - no caso da ONU e da OEA. Os políticos brasileiros se mostram um tanto amadores na sua prática e por isso sempre derrapam nas suas ações.

Essa articulação demonstrada pelas entidades indígenas e indigenistas faz muita diferença. Ignorar isso é demonstrar despreparo. Se há interesses internacionais voltados para a Amazônia a partir da Raposa Serra do Sol é preciso lutar com as mesmas armas. Do contrário, é guardar a viola e deixar a ldaínha infrutírefa de lado.

Nunca é demais lembrar que os índios têm o direito constitucional à terra. A forma como esse direito será cumprido e respeitado é que precisa ser cuidadosamente tratada. Rever a forma de demarcação da RSS é algo que para mim se mostra improvável. Mas deixemos os dias passar para conferirmos qual vai ser o resultado.

Makunaima Grita pela Raposa Serra do Sol

11 agosto, 2008 por Luiz Valério

O tempo passa e cada vez fica mais próximo o dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) precisará se pronunciar sobre a manutenção da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol ou se irão optar pela revisão da forma como a área foi demarcada e homologada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005.

Cada grupo interessado por uma ou outra situação começa a se arregimentar com o objetivo de influenciar a opinião pública de forma que ela se posicione a seu favor. É o que acontece agora com o surgimento do movimento “Makunaima Grita” que une força com o Conselho Indígena de Roraima pela manutenção da demarcação da RSS.

O novo movimento pró-demarcão da Raposa Serra do Sol disponibilizou na Internet uma petição online que será entregue aos ministros do STF, encarregados de julgar o caso no próximo dia 27 de agosto. Já foram coletadas 2.326 assinaturas de internautas. O documento pedindo a manutenção da demarcação da RSS de forma contínua está disponível em português e em inglês.

Os líderes do movimento dizem ser “importante que todos os que apóiam assinem a petição, na qualidade de pessoas físicas”. E pedem ajuda para que a campanha pela consecução de assinaturas seja divulgada. “Precisamos multiplicar o número de assinaturas!”, diz uma mensagem distribuída por e-mail no final da tarde desta segunda-feira.

Um dos trechos do manifesto do Makunaima Grita diz que:

Os direitos dos 18.000 índios da Raposa Serra do Sol estão sendo questionados por aqueles que pretendem fazer com que o Supremo Tribunal Federal, ao anular a demarcação da Terra Indígena, permita que as garantias constitucionais possam ser substituídas por interesses políticos e econômicos, que neste caso pretendem consolidar seus objetivos predatórios sobre a Amazônia brasileira. Se isso ocorrer, estaremos admitindo que em nosso país alguns têm mais direitos do que outros e que o equilíbrio consolidado na Carta Constitucional pode ser quebrado conforme o peso do interesse em questão. Ao abrir um precedente deste tipo, não são apenas outras terras indígenas já demarcadas e homologadas que poderão vir a ser igualmente questionadas e fragmentadas, mas os direitos de todo e qualquer cidadão que eventualmente se colocar no caminho do interesse político-econômico da vez.

Pelo visto, estaremos assistindo a partir de agora a mais um capítulo da luta ideológica que divide os grupos pró e contra a demarcação da Raposa Serra do Sol em área contínua.

Eu defendo o direito dos índios à terra, mas torço para que sejamos privados dos excessos verificados no primeiro semestre deste ano. Por outro lado, tenho convicção que qualquer que seja a decisão do STF, o conflito na região está longe de acabar.

COMENTÁRIO

23 julho, 2008 por Luiz Valério

Os políticos que não precisamos e nem queremos

Esse início de campanha está servindo para mostrar aos eleitores que tipo de homens públicos nós temos. Boa parte dos candidatos estão sendo alvo de pedidos de impugnação de candidaturas por atos pouco recomendáveis cometidos ao longo de suas carreiras políticas.
No caso de Boa Vista, o deputado federal Luciano Castro (PDT), candidato ao Palácio 9 de Julho, amarga o nariz torcido de algumas pessoas por ter tido o seu nome citado por uma adolescente que era usada na rede de pedofilia desmontada parcialmente pela Política Federal e Ministério Público. Por pouco não teve que ser substituído na cabeça por pressão de membros do PSDB, partido do governador Anchieta Júnior.
Já o prefeito e candidato à reeleição Iradilson Sampaio (PSB) tem contra si um pedido de impugnação de candidatura. A alegação é a de que ele não reúne as condições morais para disputar o cargo. O prefeito é acusado de um crime contra a vida. Teria cometido homicídio há muito tempo atrás. Este episódio é um fantasma que sempre assombra a vida pública de Iradilson.
Outros oito candidatos aos cargos proporcionais (vereador) também podem ter seus registros de candidatura impugnados. Dois deles já são detentores de mandato - Alfonso Rodrigues (PR) e Masamy Eda (PMDB). Isso só na capital roaimense.
Nos municípios interioranos a situação não é diferente. No município de Caracaraí, os dois principais - digamos os que têm mais dinheiro para gastar - Antônio Reis (PR) e Antônio Eduardo Filho (Odilon, PSDB) também tiverem pedidos de impugnação de candidatura registrados conta si. E muito mais ainda deve surgir.
Esses exemplos só demonstram a necessidade de renovação dos quadros políticos do país. Os cidadãos de bem, honestos e honrados precisam ocupar os espaços daqueles que já deixaram rastros pouco recomendáveis e que, por isso, estão passando pelo vexame de ter seus erros expostos publicamente.
Homens e mulheres que sonham com um país mais justo e com uma política mais limpa e decente precisam ocupar os espaços hoje entregues a esses que nos deixam, no mínimo, com um pé atrás. Não adianta reclamar de barços cruzados. “Tem que participar”.

Além do que se vê

22 julho, 2008 por Luiz Valério

O nosso colaborador Érico Veríssimo também migrou para cá e aqui publica o seu primeiro texto, lançando um olhar sobre a forma como Roraima e os roraimenses são vistos pelo restante do país. Muito de preconceito e desconhecimento. O que demonstra falta de conhecimento geográfico e cultural do brasileiro em relação ao seu próprio país e um tanto de descaso das autoridades, que tratam o estado como se não existisse do ponto de vista das questões ligadas à políticas públicas e maior cuidado com as fronteiras desta banda de cá. Confira o texto do amigo Érico.
Por Érico Veríssimo (*)
Escândalos! Mais escândalos! O que Roraima tem a oferecer ao País além de suas mazelas? O que, além de seus infindáveis escândalos? Toda vez que o Estado aparece na TV algo de podre está rolando… Não damos boas notícias; não inventamos nada útil; não somos campeões em nada positivo; não ilustramos rankings invejáveis de economia, saúde, honestidade ou educação. Pelo contrário, estamos sempre na rabeira, sempre em último lugar e quase nunca somos lembrados. Quando lembrados, dão-nos Porto Velho como capital ou RO como sigla.
Gafanhotos, Codesaima, Funasa, Máfia da Pedofilia, desvio de verbas públicas para favorecimento de campanhas eleitorais…. Enumerar tantas “glórias” de Roraima levaria muito mais do que as poucas linhas aqui usadas… As pessoas de outros estados não se envergonham em dizer que não conhecem Roraima (ainda que tenham estudado Geografia nos primórdios de sua educação); muitos ainda imaginam que vivemos cercados de índios, andamos nus, não temos nenhum sinal de modernidade, cercados pela mais primitiva e densa Floresta Amazônica. Não nos dão nenhum crédito! Somos a última fronteira!
Devemos concordar que estamos bem distantes do resto do País; nossa comunicação é difícil; o transporte para outras regiões é precário; nosso custo de vida é alto porque não produzimos e dependemos de outros estados para suprir a demanda por produtos essenciais. Mas, não é justo querer classificar os nossos casos de corrupção e demais escândalos como únicos! Eles podem ser a única coisa que nos leva aos jornais nacionais, mas com certeza não diferem em muito dos horrores que acontecem País afora.
Levando-se em conta o que acontece do Oiapoque (ou melhor, do Caburaí) ao Chuí quando o assunto é corrupção, a imagem que fica não é a do Estado corrupto, e sim, a do País corrupto… As fronteiras deixam de existir e somos colocados todos no mesmo balaio… Tornamo-nos brasileiros, muito menos pela retidão de caráter do que pelo desvio de conduta e tolerância aos escândalos que acontecem diariamente.
A impressão que se tem é de que em terras roraimenses a impunidade é o fim mais certo. A influência e o poder econômico dos envolvidos nos escândalos mais recentes dá provas de que tudo aqui caminha para acabar em pizza. Nem a visibilidade nacional dos fatos que aqui ocorrem tira da face de alguns o sorriso fácil esperando que tudo acabe em nada!
Mas, nossa esperança é renovada a cada oportunidade que temos de expurgar a escória que tenta alcançar cargos políticos à nossa custa. Então, só nos resta saber aproveitar e acreditar no velho sonho de que o poder de mudança está em nossas mãos. Se não pensarmos e agirmos assim, seria melhor ultrapassarmos os limites da “última fronteira” mais ao norte e apostarmos as últimas fichas num desses países desconhecidos que nos cercam!
Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR)

Mozarildo diz que CPI da Amazônia vai ajudar a resolver problemas da região

17 julho, 2008 por Luiz Valério

Senador Mozarildo: é preciso fazer um dagnóstico da Amazônia

O senador roraimense Mozarildo Cavalcanti (PTB) está confiante de que a Comissão Parlamentar de Inquérito da Amazônia possa ajudar a resolver alguns dos problemas da região.

- Temos que fazer um diagnóstico e indicar o tratamento adequado para a Amazônia - explicou.

O parlamentar encabeçou o requerimento de criação da CPI. O documento foi encaminhado à Mesa-Diretora do Senado na semana passada e a comissão deverá ser instalada depois do recesso parlamentar que começa amanhã, sexta-feira (18), e vai até 31 de julho.

Mozarildo aponta como principais problemas a serem abordados pela CPI os conflitos de terras, a violação das fronteiras, o descaminho de produtos minerais e o uso da Amazônia como rota do contrabando de armas e do tráfico de drogas.

Comentário do editor

Geralmente, CPI no Brasil não dá muito resultado. Principalmente quando as investigações detectam o rastro de criminosos endinheirados. Mas, vamos ver em que mais essa CPI vai dar.

(Com informações e imagem da Agência Senado)

Guerrilha do Araguaia - Encontramos uma testemunha

5 julho, 2008 por Luiz Valério


Manelão Garimpeiro, remanescente da Guerrilha do Araguaia


O pequeno e tranqüilo município de São Luís do Anauá, localizado na região sul de Roraima, a 316 quilômetros de Boa Vista, tem entre os seus 5.700 habitantes um personagem que viveu momentos dramáticos do período da ditadura no Brasil: a guerrilha do Araguaia. O garimpeiro Manoel Carlos do Nascimento, um senhor negro, magro, alto e bem humorado, de 66 anos, teve contato direto com os comunistas- guerrilheiros Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, um dos mais importantes integrantes do PC do B enviados para o Araguaia, e Dinalva Conceição Teixeira, a Dina, a quem chamava de “terroristas” e “aquelas duas pestes”. Depois de sobreviver a duas quedas de avião e sair ileso, Manelão Garimpeiro, como é conhecido, veio aportar no interior de Roraima, de onde partiu e para onde voltou várias vezes em busca de ouro.

Historicamente, a versão de que guerrilheiros teriam sido donos de Serra Pelada ainda guarda alguns mistérios a serem confirmados oficialmente. Porém, sem que ninguém soubesse, Roraima guarda uma parte dessa memória viva, encontrada por este repórter no final do mês de junho, durante uma visita feita a região sul de Roraima. Enquanto fazia a cobertura das convenções municipais naquela cidade brejeira, sempre de ouvido atento aos diálogos paralelos, ouvi quando Manoel Carlos do Nascimento contava sobre suas aventuras no Araguaia e como havia escapado vivo de dois acidentes de avião em pistas de garimpo em Marabá e Itaituba, no Pará. Algo sinalizava que ali havia uma grande história esperando para ser contada. Apresentei-me como jornalista e propus uma entrevista. Manelão topou e, a seguir, temos o relato de parte de um momento importante da história brasileira.

O restante da matéria você lê clicando aqui.

Seminário sobre ‘Povos indígenas no contexto urbano’

2 julho, 2008 por Luiz Valério

A situação em que vivem os índios urbanos no estado de Roraima será tema de debate no seminário “Povos Indígenas no Contexto Urbano – Desafios e Perspectivas”, que será realizado no dia 5 de julho, no Auditório da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Com início previsto para as 8 horas, o evento é uma iniciativa do Centro de Migrações e Direitos Humanos (CMDH) em parceria com a UFRR. Toda a sociedade civil organizada está sendo convidada a participar do seminário .

O evento terá a presença do professor doutor em Antropologia Álvaro Bello, da Universidade do Chile, que tem pesquisas de doutorado no México e acompanha um levantamento e debate sobre o tema da interculturalidade dos povos indígenas na América Latina.

Devem participar das mesas de debates representantes locais da Organização dos Indígenas na Cidade (ODIC), Conselho Indígena de Roraima (CIR), Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Assuntos Indígenas, Secretaria de Estado do Índio, Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Universidade Federal de Roraima (UFRR).

Comentário do Editor

A discussão sobre a situação em que vivem os índos urbanos em Roraima é bastante oportuna. Há alguns anos fiz várias matérias para a Folha de Boa Vista sobre a vida marginal que centenas de indígenas de várias etnias levam na periferia de Boa Vista, vítimas do preconceito e da falta de perspectiva que encontraram na cidade, ao saírem das suas comunidades de origem. O alcoolismo e o desemprego ainda são os principais problemas enfrentados pelos chamados “índios urbanos”.

Aculturados, eles vivem numa espécie de ‘limbo’ sócio-cultural, pois não conseguem se integrar totalmente à sociedade urbana e nem querem mais retornar para suas comunidades originárias. Vivem em situação de pobreza extrema nos bairros periféricos da capital roraimense. No passado a situação já foi bem pior, mas não se pode fechar os olhos para a  ainda precária condição de vida dos índios que amargam essa realidade de exclusão.

Imagem: Grupo Escolar

Paisagens de Roraima

15 junho, 2008 por Luiz Valério

O fotógrafo Alfredo Maia prepara uma exposição de fotografias que terá como temática as paisagens roraimenses, com destaque para a polêmica região da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Abaixo reproduzo duas das imagens que estão sendo selecionadas para a mostra que acontecerá no hall de entrada da Assembléia Legislativa de Roraima:

Uma das belas cachoeiras da região da Raposa Serra do Sol

Foto aérea de Boa Vista, capital de Roraima, com destaque para a ponte dos Macuxis e o Rio Branco

As fotos selecionadas por Alfredo Maia fazem parte de um acervo de centenas de imagens clicadas pelo artista ao longo dos últimos 20 anos. Maia foi o fotografo oficial do ex-governador Ottomar Pinto até o falecido do brigadeiro em dezembro de 2007.

Governo cria unidades de conservação na AL

5 junho, 2008 por Luiz Valério

Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou hoje o decreto que cria três unidades de conservação na Amazônia Legal.

Em sua fala Lula disse que:

“De vez em quando fico pensando que a Amazônia é igual aqueles vidros de água benta que têm nas igrejas e todo mundo acha que pode meter o dedo. Basta ser católico e entrar na igreja que quer colocar o dedo para se benzer”.

Sobre as críticas dos jornais e revistas ingleses e americanos sobre a capacidade do Brasil de cuidar da Amazônia, Lula alfinetou:

“A Europa, por exemplo, só tem 0,3% da sua floresta nativa em pé. O Brasil ainda tem 69%”.

É verdade, presidente, mas se a coisa continur do jeito que está, daqui a pouco nós não teremos mais argumentos como esse para usar. A devastação avança de forma galopante.

Hoje é o dia Internacional do Meio Ambiente.

5 junho, 2008 por Luiz Valério

O que teríamos para comemorar:

1) uma Amazônia devastada em consequência da inconsequência humana;

2) um ministro do Meio ambiente fanfarrão, nas palavras do jornalista Cláudio Ângelo, da Folha de São Paulo, que em vez de decretar uma cassada aos devastadores da floresta declara que vai mandar prender os bois que pastam na Amazônia;

3) um presidente da República que demonstra não ter coragem para peitar os homens do agronegócio pelo bem da floresta amazônica e, diga-se, do clima mundial (mas o presidente Lula diz que seu governo não tem medo do debate sobre preservação);

4) políticos como Blairo Maggi, governador do Mato Grosso, que acham que cobrar o respeito às leis ambientais é embargar a economia do seu estado;

5) a ainda indefinida situação da Raposa Serra do Sol…

6) um partido verde em Roraima que defende a causa dos destruidores do meio ambiente; etc.

Não, definitivamente não temos motivo para comemorar. Temos sim, muito o que fazer para sensibilizar os que ainda acham que defender o meio ambiente é coisa de “sociólogo barbudo, cabeludo e meio sujo”.

Não, defender o meio ambiente é defendar a vida de cada um de nós. É uma causa ao mesmo tempo coletiva e individual. Afinal, quem quer morrer asfixiado por falta de ar ou pelo ar poluído ou de sede, devido à falta de água potável? Eu não quero.

Melhores momentos do debate sobre a ocupação de terras na Amazônia e o papel da mídia

4 junho, 2008 por Luiz Valério

Volto agora a falar sobre o debate de ontem acerca do tema “O processo de ocupação e a organização das terras na Amazônia e o papel da mídia nesse processo”, promovido pelo Centro Acadêmico do Curso de Jornalismo da Faculdade Atual da Amazônia, cuja presidente é Evilene Paixão.

Muito bem. Foi um debate muito proveitoso sob todos os aspectos. Primeiro, por levar aos acadêmicos de jornalismo e, portanto, futuros formadores de opinião, conhecimentos sobre uma questão tão complexa e que merece ser debatida de forma permanente. Segundo, a exposição do professor Nélvio Dutra foi brilhante. Já falei um pouco sobre isso aqui.

O professor disse aos estudantes que eles precisam investir em pesquisa para que consigam entender mais e mais sobre a questão e para se constituírem em jornalistas capazes de contestar as afirmações do poder (ou de seus representantes sobre temas polêmicos como este). Para ele, a elite e o poder político local não tem o interesse de debater esses assuntos da forma como deveria e desrespeita, inclusive, acordos e tratados assinados no passado sobre a questão das terras etc.

A participação dos profissionais de jornalismo Airlene Carvalho (TV Roraima/Globo), Loide Gome (Folha de Boa Vista) e Rubem Leite (Rádio FM Monte Roraima) foi decisiva para o engrandecimento do debate sobre o papel da mídia na discussão e informação da sociedade sobre o processo de ocupação das terras na região amazônica.

Airlene e Loide sustentaram que os veículos que representam atuam de forma plural, deixando o público municiado de dados para formar seu juízo de valor sobre a questão. A representante da Folha afirmou que a pluralidade do jornal fica explícita no posicionamento do editor-chefe, Jessé Souza, em seus artigos defendendo a causa indígena (ele é a favor da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol em área contínua) e  na contraposição feita, por exemplo, na coluna Parabólica, que representa o pensamento da elite política e econômica local (essa observação é deste editor).

Airlene Carvalho da TV Roraima colocou que a emissora apresenta os fatos colocando a maior diversidade de opiniões possível, mas devido à característica do veículo televisão, onde o tempo é restrito, não dá para aprofundar muito o assunto. “Mas procuramos oferecer ao telespectador um panorama que lhe permita tirar suas conclusões”, disse.

A parte polêmica sobre a atuação da mídia ficou por conta do jornalista Rubem Leite, da FM Monte Roraima, emissora umbilicalmente ligada aos movimentos sociais. Ele disse que a mídia age de forma a beneficiar a elite e que há muito preconceito com a questão indígena. Afirmou também que os poderes constituídos se juntaram para apoiar o prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero (PDT), que promoveu uma veradeira guerrilha em Roraima. Para Rubem, a mídia local marcou posição favorável aos rizicultores.

O professor de Oficina de Texto, Avery Veríssimo, disse que os cemitérios, as marcas paelontológicas presentes na região deixam claro que a Raposa Serra do Sol é, por direito, dos indígenas, e que há muito preconceito contra esses povos ancestrais, assim como há má vontade da elite em reconhecer tais direitos.

Eu atuei como mediador do debate, mas no fechamento das discussões não me contive a também expus a minha opinião. Para mim essa é uma briga de Davi contra Golias (a elite política e econômica contra a minoria indígena). A mídia, apesar de mostrar várias versões o conflito na região da Raposa Serra do Sol, se colocou claramente do lado da resitência dos rizicultores que, comandada por Paulo César Quartiero, incentivou a desobediência civil e promoveu cenas de viôlência.

A participação dos alunos com perguntas ou intervenções pode-se dizer que foi positiva, no sentido de que eles demonstraram interesse em entender o assunto e colocar sua visão sobre o tema. A acadêmica do 3º semeste de Jornalismo, Sunayra Cabral, quis saber se os representantes da mídia consideram correta a retirada de pessoas que moram há anos nas comunidades que ficam dentro da reserva. Jonas Elmore, também do 3º semestre, disse que a mídia tem um discurso conflitante e que seria necessário mais união pelo bem comum, no que foi rebatido por Loide Gomes. Ela argumentou que discurso único é prejudicial para a pluralidade de idéias. Foram bons momentos, enfim.

Roraima e a questão das terras

4 junho, 2008 por Luiz Valério

O  professor Nélvio Paulo Dutra dos Santos, doutor em desenvolvimento sustentável e professor da Universidade Federal de Roraima, disse ontem durante do debate sobre “O processo de coupação e gestão de terras na Amazônia e o papel a mídia” que o problema dos assentamentos estaduais em terras da União é bem mais sério que a questão da terra indígena Raposa Serra do Sol.

A justificativa para a afirmação é que nesses assentamentos existem entre 25 e 30 mil pessoas que, a depender de como venha ficar a situação da posse dessas terras, podem ser desabrigadas.

Lotes urbanos

Outra observação curiosa do professor Nélvio foi quanto ao fato de em Boa Vista haver mais lotes urbanos do que rurais. Ele chamou a atenção para o fato de que as áreas mais altas da cidade estar sendo loteadas por empresas de pessoas conhecidas da sociedade local, enquanto as pessoas pobres são condenadas a viver em áreas baixas, sujeitas a alagamentos.

“Empresas agropecuárias são proprietárias de lotes urbanos que viram lotes rurais para se tornarem em lotes urbanos novamente logo em seguida”, criticou. “A terra virou um bem de troca mais do que de uso.

 

Ocupação de terras na Amazônia

3 junho, 2008 por Luiz Valério

Logo mais às 19h30 o Centro Acadêmico de Jornalismo da Faculdade Atual da Amazônia (FAA) estará realizando um importante debate sobre “Os processos de ocupação e organização das terras na Amazônia e o papel da mídia como formadora de opinião nesses processos”. Este blogueiro, que atua como professor no Curso de Jornalismo da instituição, foi convidado para ser o mediador do debate, que contará com a participação de Airlene Carvalho, chefe de jornalismo da TV Roraima (retransmissora da TV Globo no estado), além de representantes da Rádio FM Monte Roraima e de outros veículos de comunicação locais. Professores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) também devem participar do evento. Ao final do debate trarei mais informações a respeito.


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