Políticos ‘ficha suja’ podem comemorar
7 agosto, 2008 por Luiz Valério 
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem que os juízes eleitorais não podem impugnar a candidatura de políticos que respondem a processo na justiça ou não tenham sido condenados em definitivo.
Foi uma vitória para os maus políticos, pois grande parte das ações de impugnação de candidaturas têm como base processos administrativos por má gestão de recursos públicos, ações movidas pela Fazenda do Tesouro Nacional, contas reprovadas pelos Tribunais de Contas e ações penais.
Ou seja, o jogo eleitoral está liberado para os políticos perna-de-pau que entram solando em campo, capazes de fazer qualquer jogada desleal para se dar bem.
Só aqui em Roraima, mais de três dezenas de candidatos tiveram ações de impugnação impetradas pelo Ministério Públicos partidos e coligações adversárias por enfrentarem problemas em suas contas anteriores. Outros, por responderem a processos penais.
A decisão do Supremo se deu por nove votos a dois. Não adiantou o empenho da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), autora da ação. Também não adiantou a campanha da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para que o pleito da AMB fosse acolhido pelo STF. Foi um julgamento de quase oito horas e seu resultado vincula todas as instâncias do Judiciário, inclusive a Justiça Eleitoral, e a administração pública.
O ministro Celso de Mello apresentou a tese vencedora. Segundo ele, impedir a candidatura de políticos que respondem a processo viola os princípios constitucionais da presunção de inocência e do devido processo legal. Concordaram com sua tese os ministros Carlos Alberto Menezes Direito, Cármen Lúcia Antunes Rocha, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Cezar Peluso, Ellen Gracie, Marco Aurélio e Gilmar Mendes.
Outro argumento apresentado pelos ministros do Supremo foi o de que o Judiciário não pode substituir o Legislativo e criar regras de inelegibilidade não previstas na Constituição e na Lei Complementar sobre a matéria.
Tudo bem. Diz-se que lei não se discute. Cumpre-se. Mas agora, mais do que nunca, o caminho para os políticos mal intencionados está aberto. E eles podem ficar tranquilos. A justiça está do seu lado. Não serão importunados. A justiça brasileira se mostra surda, cega e ineficaz.
Imagem: Agência Brasil
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Luiz Valério, 33, jornalista e blogueiro. Atua como repórter político desde 1997. Iniciou a carreira como repórter esportivo de rádio no Ceará. Formado em Letras, com Especialização em Comunicação Social e Novas tecnologias. Atualmente, atua como professor universitário.
Este blog, que denominei de Política com Pimenta, tem por finalidade publicar notícias e comentários sobre o tema política, desde a sua concepção mais rasteira, a partidária, até a política macro que envolve toda a vida em sociedade. Para exercer esse papel com lealdade aos leitores, o blog e seu autor se prendem aos princípios éticos que regem a profissão de jornalista. Temos como compromisso primeiro a busca pela informação correta sempre primando e defendendo, a qualquer custo, a liberdade de expressão.

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20 setembro, 2008 às 18:40
A CONSTITUIÇÃO DIZ QUE TODO CIDADÃO É IGUAL PERANTE A LEI. ISTO É BOM.PORÉM SE TRATANDO DE FICHA SUJA ALGUNS PARLAMENTARES DEIXAM A DESEJAR POIS SEUS NOMES ESTÃO SUJOS CORRESPONDENDO A0 “SPC OU SERAZA” AI ALGUNS PARLAMENTARES GANHAM… QUE PAIS É ESSE?
7 outubro, 2008 às 8:12
JUSTIÇA… O TRAFICANTE É MAIS JUSTO QUANDO MATA UM “DEDO DURO” OU QUANDO CONDENA UM “DEVEDOR” NO MORRO DO QUE ESSE BANDO DE SAFADO VESTINDO TERNO E GRAVATA QUE SE SENTA NA ATRAS DE UMA MESA COM UM MARTELO NA MÃO.
O QUE FALTA EM NOSSO PAÍS, SÃO BONS JUIZES!!
10 outubro, 2008 às 7:28
Sou radicalmente contra a corrupção em todos os sentidos, mas infelizmente, é a lei e louco é aquele que não a cumpre. E as vezes aqueles que detem o poder de decisão fica de mãos atadas. Entretanto, entendo que falta a agilidade nos julgamentos dos processos, mesmo que logo após a eleição do candidato “ficha suja” para uma cassação imediata e não deixar para o final do mandato, já nas vésperas das eleições como virou praxe.