Uma estória sobre eleição
10 julho, 2008 por Luiz ValérioEssa estória/causo me efoi enviado pelo blogueiro e leitor deste Política com Pimenta, Beto Fernandes, direto de Juazeiro do Norte, minha terra natal. Beto mantém o Blog do Juazeiro.
Numa eleição em Saboeiro, cidadezinha do interior do Ceará, na localidade “Mucambo”, hoje município de Antonina do Norte, o candidato a prefeito chegando na casa de um compadre e correligionario, para sua surpresa, bateu de frente com um eleitor rebelde. Mimoso do pai e da mãe “Coboquinho” não arredou o pé desta ideia:
- Só voto no Senhor se me arranjar um emprego.
- Se me eleger garanto, palavra de prefeito.
Passada a eleição, contabilizados os votos, o homem se elegeu, tomou posse e começou a cobrança por parte do Caboquinho.
- Aguarde um pouco, deixe-me organizar as finanças…
E assim o prefeito foi enrolando e empurrando com a barriga. Para sua sotre sorte o sacristão da Igreja Matriz da cidade bateu a biela e aproveitando a vacância do cargo, o prefeito fez um bilhete ao padre solicitando a vaga para Caboquinho.
- Nunca se viu coisa tão facil, fique aí nesta mesa, anote o nome da criança, data do nascimento, nome dos padrinhos que hoje vamos ter batizados, orientou o padre.
- Padre eu não sei escrever!!!, exclamou Caboquinho.
- Então não vai dar certo, responde o padre.
Diante do impasse, Caboquinho volta desolado para Mucambo, se desfaz de suas poucas posses, entre elas alguns bodes, e com o dinheiro desaba no meio do mundo sem destino. Quando a “merreca” acabou, ele já estava na progressista cidade de Jaciara, em Mato Grosso.
Dois dias depois se alistava para trabalhar com um abastado fazendeiro criador de gado de corte. O casal proprietario da fazenda já estavam pra lá dos sessenta anos e tinham uma unica filha. Muito trabalhador, boa índoli, jeitozinho, aos poucos Caboquinho foi conquistando a admiração e confiança do patrão e o coração da filha, com quem contraiu matrimonio poucos meses depois.
Passadas três decadas depois, Caboquinho já era dono das propriedades herdadas do sogro e mais algumas adquiridas. Nessa época, o Banco do Brasil tomou a decisão de implantar uma agência em Jaciara e quando a gerente fez a lista dos maiores fazendeiros do municipio lá estava o nome de Caboquinho em primeiro lugar.
O gerente apanhou o carro, colocou maquina de escrever, formularios para abertura de conta corrente e foi ao encontro de Caboquinho. Chegando à propriedade de Caboquinho, o gerente explicou as razões de sua visita e foi autorizado a fazer a abertura da conta.
Logo, Caboquinho entregou ao gerente nada mais nada menos do que três sacos de estopa cheios dinheiro. Depois de preenchido o formulário, o gerente morto de alegre, olha para Caboquinho e diz: Assine aqui nessa cruizinha! E ele rindo diz:
- amigo se eu soubesse escrever eu estava em Saboeiro, sendo sacristão.
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Luiz Valério, 33, jornalista e blogueiro. Atua como repórter político desde 1997. Iniciou a carreira como repórter esportivo de rádio no Ceará. Formado em Letras, com Especialização em Comunicação Social e Novas tecnologias. Atualmente, atua como professor universitário.
Este blog, que denominei de Política com Pimenta, tem por finalidade publicar notícias e comentários sobre o tema política, desde a sua concepção mais rasteira, a partidária, até a política macro que envolve toda a vida em sociedade. Para exercer esse papel com lealdade aos leitores, o blog e seu autor se prendem aos princípios éticos que regem a profissão de jornalista. Temos como compromisso primeiro a busca pela informação correta sempre primando e defendendo, a qualquer custo, a liberdade de expressão.

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