O estudante de jornalismo e colaborador do blog Érico Veríssimo traz, em seu segundo texto aqui publicado, a constatação de que os políticos usam as eleições municipais como uma espécie de vitrine ou trampolim para o pleito seguinte, quando alguns que por ventura se elejam vereadores e/ou prefeitos vão tentar chegar às casas legislativas estadual e federais ou mesmo ao governo. São exemplos dessa prática os deputados José Reinaldo (PSDB) - ex-presidente da Câmara Municipal de Boa Vista - e Ivo Som (PTN). Outros vereadores eleitos em 2004 para a Câmara Municipal de Boa Vista tentaram chegar ao parlamento estadual, mas viram suas tentativas naufragar. Confira a análise de Érico: 

Érico Veríssimo*

As eleições municipais no Brasil costumam ser uma prévia das disputas majoritárias que ocorrem dois anos depois. Políticos experientes (e inexperientes também) vislumbram cargos maiores e os arranjos políticos para esse longo caminho começam a ser “costurados” desde já. Muitos não negam que se eleger vereador ou prefeito é apenas um trampolim para ser deputado estadual ou federal, senador, governador e até mesmo presidente da República.

Com mais de 5.000 municípios, o País começa a funcionar em torno das alianças político-partidárias e da tentativa de cada candidato de disputar o maior número possível de eleitores, desejando conquistar cada voto, ainda que os meios para conseguir tal façanha nem sempre sejam honestos. É comum a compra de votos; a troca de favores e as promessas que, certamente, nunca serão cumpridas, fazem parte do histórico democrático brasileiro.

Embora as eleições diretas tenham começado a vigorar há pouco mais de 20 anos, é inegável que o jogo político fortalece a democracia, não obstante as fraudes e as diversas formas de corrupção que acompanham as disputas políticas. Além disso, o País ainda não conseguiu livrar-se do ranço do clientelismo e do coronelismo, cuja presença é mais acentuada nas eleições municipais; tem-se a impressão de que é mais fácil “aliciar” eleitores e cooptar possíveis cabos eleitorais nas disputas que ocorrem nos inúmeros municípios brasileiros, principalmente nos rincões e currais eleitorais em que a pobreza e a fome são uma forte moeda de troca.

Em cidades como Boa Vista, onde a força política e as ações do Estado interferem diretamente na vida de cada cidadão, o clima de eleições acirra os debates e realça as preferências. A polarização de idéias e a distribuição de cargos para manutenção de nomes e famílias que há muito disputam poder e espaço na política roraimense são as principais características de um jogo político com final previsível em que as alternativas estão longe de representar mudanças.

*Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Roraima RR

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