Quando os eleitores são enganados
17 julho, 2008 por Luiz ValérioO estudante de jornalismo e colaborador do blog Érico Veríssimo traz, em seu segundo texto aqui publicado, a constatação de que os políticos usam as eleições municipais como uma espécie de vitrine ou trampolim para o pleito seguinte, quando alguns que por ventura se elejam vereadores e/ou prefeitos vão tentar chegar às casas legislativas estadual e federais ou mesmo ao governo. São exemplos dessa prática os deputados José Reinaldo (PSDB) - ex-presidente da Câmara Municipal de Boa Vista - e Ivo Som (PTN). Outros vereadores eleitos em 2004 para a Câmara Municipal de Boa Vista tentaram chegar ao parlamento estadual, mas viram suas tentativas naufragar. Confira a análise de Érico:
Érico Veríssimo*
As eleições municipais no Brasil costumam ser uma prévia das disputas majoritárias que ocorrem dois anos depois. Políticos experientes (e inexperientes também) vislumbram cargos maiores e os arranjos políticos para esse longo caminho começam a ser “costurados” desde já. Muitos não negam que se eleger vereador ou prefeito é apenas um trampolim para ser deputado estadual ou federal, senador, governador e até mesmo presidente da República.
Com mais de 5.000 municípios, o País começa a funcionar em torno das alianças político-partidárias e da tentativa de cada candidato de disputar o maior número possível de eleitores, desejando conquistar cada voto, ainda que os meios para conseguir tal façanha nem sempre sejam honestos. É comum a compra de votos; a troca de favores e as promessas que, certamente, nunca serão cumpridas, fazem parte do histórico democrático brasileiro.
Embora as eleições diretas tenham começado a vigorar há pouco mais de 20 anos, é inegável que o jogo político fortalece a democracia, não obstante as fraudes e as diversas formas de corrupção que acompanham as disputas políticas. Além disso, o País ainda não conseguiu livrar-se do ranço do clientelismo e do coronelismo, cuja presença é mais acentuada nas eleições municipais; tem-se a impressão de que é mais fácil “aliciar” eleitores e cooptar possíveis cabos eleitorais nas disputas que ocorrem nos inúmeros municípios brasileiros, principalmente nos rincões e currais eleitorais em que a pobreza e a fome são uma forte moeda de troca.
Em cidades como Boa Vista, onde a força política e as ações do Estado interferem diretamente na vida de cada cidadão, o clima de eleições acirra os debates e realça as preferências. A polarização de idéias e a distribuição de cargos para manutenção de nomes e famílias que há muito disputam poder e espaço na política roraimense são as principais características de um jogo político com final previsível em que as alternativas estão longe de representar mudanças.
*Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Roraima RR
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Luiz Valério, 33, jornalista e blogueiro. Atua como repórter político desde 1997. Iniciou a carreira como repórter esportivo de rádio no Ceará. Formado em Letras, com Especialização em Comunicação Social e Novas tecnologias. Atualmente, atua como professor universitário.
Este blog, que denominei de Política com Pimenta, tem por finalidade publicar notícias e comentários sobre o tema política, desde a sua concepção mais rasteira, a partidária, até a política macro que envolve toda a vida em sociedade. Para exercer esse papel com lealdade aos leitores, o blog e seu autor se prendem aos princípios éticos que regem a profissão de jornalista. Temos como compromisso primeiro a busca pela informação correta sempre primando e defendendo, a qualquer custo, a liberdade de expressão.

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17 julho, 2008 às 11:44
Curto, médio e longo prazo.
“Onde quero estar daqui a cinco anos?” já diz o Marketing Eleitoral.
Nas eleições de constituintes de 1986 começou na disputa para prefeituras em 1985; ou seja, o desejo é iniciar, firmar um projeto político que deva vingar frutos futuros por meio de divulgações das idéias ou divulgações de um novo, ou pelo menos, assim embalado, partido por aí afora. Associações, DCEs, grêmios também são boas idéias, assim como sindicatos, que o diga Lula.
Érico, Parabéns pelo texto!