Palavras ao vento
14 julho, 2008 por Luiz ValérioNo texto abaixo o estudante de Jornalismo Érico Veríssimo faz uma análise desse início de campanha, com os apelos midiáticos dos candidatos que insistem em se travestir de homens bem intencionados, mas cujo único objetivo é chegar ao poder e promover a sua farrinha pessoal. Érico se propõe a ser um colaborador do blog. Sejam bem vindo!
Por Érico Veríssimo*
“O clima de eleições já está no ar. A simpatia e humildade dos candidatos a um cargo político ultrapassam os limites do bom senso e beiram à desfaçatez. Eles se mostram tão solícitos, prontos a resolver qualquer probleminha, desde a falta de cimento para o possível “eleitor” concluir a sua casa até passagens para visitar aquele parente enfermo há muito tempo não visto. Também são prometidas ações que se tornaram secundárias na plataforma de quem se arvora candidato a um dos cargos e que, em sua maioria, não são cumpridas: saneamento de ruas, limpeza urbana, melhoria do transporte público, mais oportunidades de emprego, escolas de qualidade etc. Acaba ficando tudo para depois!
Quem não falava com a imprensa antes do clima eleitoral, começa a aparecer constantemente na mídia e tratar dos mais diversos assuntos; quem nada fazia, toma para si diversos projetos e obras realizadas. As coligações partidárias dispensam afinidades ideológicas; o que vale é aquilo que pode ser auferido da união de pessoas tão diferentes, inclusive daquelas que antes trocavam farpas e acusações, eram “inimigos” políticos e, teoricamente, estavam em lados opostos. Parece tudo um grande teatro!
Não há espaço para os honestos e bem intencionados; estes sempre perdem no jogo político. São boicotados, postos de lado e não conseguem colocar em prática aquilo que foi prometido aos seus eleitores; ficam impedidos de agir e não correspondem às expectativas daqueles que neles confiaram. Para o outro lado (dos corruptos, desonestos e aproveitadores) ficam os louros de uma vitória muitas vezes espúria e resultado de uma “corrida” política nem sempre compreendida pelos simples mortais (majoritariamente os que não têm nenhum poder de decisão sobre questões de interesse público, mas que são fundamentais na decisão do jogo político ao trocar seu voto por favores).
Depois de eleitos, os mesmos que antes prometiam “mundos e fundos” aos seus eleitores viram-lhes as costas e esquecem tudo que foi dito. “Esqueçam o que eu disse”, diria um desses políticos; “apaguem o que eu escrevi”, diria outro. É notório que muitos políticos não cumprem suas promessas de campanha, não atendem aos anseios da população e desvirtuam suas funções.
Em época de campanha eleitoral é preciso estar atento e saber quem é realmente digno de voto. É preciso estar convicto daquilo que se quer; o eleitor que vende seu voto é tão irresponsável quanto o político eleito por meios fraudulentos. A corrupção, neste caso, é mútua. Ao abrir os olhos e agir de forma consciente, séria, lembrando-se sempre em quem votou, fiscalizando e acompanhando o candidato de sua preferência, antes e após as eleições, o eleitor imbui-se de seu verdadeiro papel de cidadão e fortalece o espírito democrático, longe do discurso de TV maquiado pelos marqueteiros políticos, mas construído na realidade dos que suportam o dia-a-dia, batem de frente com a realidade (sem maquiagem) e esperam por mudanças”.
*Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Roraima - UFRR
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Luiz Valério, 33, jornalista e blogueiro. Atua como repórter político desde 1997. Iniciou a carreira como repórter esportivo de rádio no Ceará. Formado em Letras, com Especialização em Comunicação Social e Novas tecnologias. Atualmente, atua como professor universitário.
Este blog, que denominei de Política com Pimenta, tem por finalidade publicar notícias e comentários sobre o tema política, desde a sua concepção mais rasteira, a partidária, até a política macro que envolve toda a vida em sociedade. Para exercer esse papel com lealdade aos leitores, o blog e seu autor se prendem aos princípios éticos que regem a profissão de jornalista. Temos como compromisso primeiro a busca pela informação correta sempre primando e defendendo, a qualquer custo, a liberdade de expressão.

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15 julho, 2008 às 18:42
Realmente, pura realidade no Brasil, que infelizamente em muito casos, inclusive o eleitoreiro, tem mancha do Brasil colonial.
O interesse político é maléfico a sociedade e as consequencias de sofrimento quem sofre é o povo menos favorecidos.
16 julho, 2008 às 14:52
Realmente essa matéria dará muito efeito a população, pois é assim que tem que ser, pois temos que respirar política e não só nessas épocas, saber o que “eles fazem” ir lá e cobra-los todos os momentos, pois é agindo que se chegaremos a algum lugar.