Manelão Garimpeiro, remanescente da Guerrilha do Araguaia


O pequeno e tranqüilo município de São Luís do Anauá, localizado na região sul de Roraima, a 316 quilômetros de Boa Vista, tem entre os seus 5.700 habitantes um personagem que viveu momentos dramáticos do período da ditadura no Brasil: a guerrilha do Araguaia. O garimpeiro Manoel Carlos do Nascimento, um senhor negro, magro, alto e bem humorado, de 66 anos, teve contato direto com os comunistas- guerrilheiros Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, um dos mais importantes integrantes do PC do B enviados para o Araguaia, e Dinalva Conceição Teixeira, a Dina, a quem chamava de “terroristas” e “aquelas duas pestes”. Depois de sobreviver a duas quedas de avião e sair ileso, Manelão Garimpeiro, como é conhecido, veio aportar no interior de Roraima, de onde partiu e para onde voltou várias vezes em busca de ouro.

Historicamente, a versão de que guerrilheiros teriam sido donos de Serra Pelada ainda guarda alguns mistérios a serem confirmados oficialmente. Porém, sem que ninguém soubesse, Roraima guarda uma parte dessa memória viva, encontrada por este repórter no final do mês de junho, durante uma visita feita a região sul de Roraima. Enquanto fazia a cobertura das convenções municipais naquela cidade brejeira, sempre de ouvido atento aos diálogos paralelos, ouvi quando Manoel Carlos do Nascimento contava sobre suas aventuras no Araguaia e como havia escapado vivo de dois acidentes de avião em pistas de garimpo em Marabá e Itaituba, no Pará. Algo sinalizava que ali havia uma grande história esperando para ser contada. Apresentei-me como jornalista e propus uma entrevista. Manelão topou e, a seguir, temos o relato de parte de um momento importante da história brasileira.

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