Escrevi aqui no último sábado (14) que o governador Anchieta Júnior (PSDB) está indo na contra-mão da democracia ao querer barrar na Justiça a greve dos professores. Mas agora a situação beira o ridículo: a própria Justiça, numa atitude completamente antidemocrática e inconstitucional, manda apreender os veículos que dão apoio ao Sindicato dos Professores (Sinter) como forma de tentar minar a greve.

Será que o juiz Parima Dias Veras esqueceu do que estudou no Curso de Direito. Afinal, a Constituição é não ou não é soberana diante das demais normas vigentes? O artigo 8º da Constituição Federal, em seu Inciso VI, diz que cabe aos sindicatos negociarem questões salariais das categorias que defendem.

Parece que vivemos uma completa inversão de valores. Os homens responsáveis por fazer cumprir a lei se esquecem do seu mister e adotam posições equivocadas, beneficiando os poderosos em detrimento de quem está apenas reivindicando os seus direitos.

Mais um direito garantido na Constituição que foi ferido na decisão do juiz Parima: o de liberdade de manifestação de pensamento e de reuniões em espaços públicos. Logo, a decisão de tentar minar a greve dos professores pela via judicial, apreendendo veículos, se mostra completamente autoritária e afrontosa aos preceitos constitucionais.

Não entendo como pode um representante da Justiça incorrer em tão grave erro, qual seja o de passar por cima dos ditames postos na Constituição do seu país. Só mesmo num estado como Roraima, onde até boi voa.

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