Como era de se esperar, a situação na Raposa/Serra do Sol em Roraima chegou ao ponto extremo. Índios agredidos à bala, Paulo César Quartiero, rizicultor e prefeito de Pacaraima, município loclizado na fronteira com a Venezuela e epicentro do conflito, detido por formação de quadrilha, e um tumultuo generalizado por outros indígenas que não concordaram com a prisão dele.

Faz tempo que venho dizendo que a exacerbação dos ânimos de um e de outro lado resultaria em violência. Quartiero prega a violência para retroagir o efeito da demarcação contínua da Raposa/Serra do Sol desde a homologação da Terra Indígena pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005. Já naquele ano, tão logo foi anuncada a assinatura do ato homologatório, o mesmo Quartiero liderou um movimento que fechou estradas e causou tumultuo de uma semana em Roraima.

Os indígenas ligados ao Conselho Indígena de Roraima (CIR) também contribuíram para qu a situação chegasse ao ponto que chegou. Se havia sido firmado um acordo para esperar uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a questão da revisão ou não da homologação contínua da Raposa/Serra do Sol, o CIR jamais poderia ter incentivado a invasão da fazenda de propriedade de Paulo César Quartiero.

Uma convicção eu trago comigo sobre esse questão polêmica: não há inocentes nessa história. Cada integrante de um e outro grupo age movido por interesses que nem sempre estão focados no bem estar o povo indígena, que nunca teve tantos porta-vozes como agora. ONGs ditas indigenistas e rizicultores movem-se na defesa estrita dos seus interesses financeiros e ideológicos. Nada de defesa da soberania nacional. Nada de defesa dos direitos dos povos indígenas. De um e de outro lado há muita falácia.

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