Acusações de facilitação de fuga, tentativa de homicídio, processo por homicídio, atos de violência cometidos sob efeito de álcool, tortura contra policiais e dívidas não pagas. Foi com essa saraivada de denúncias que o tenente-coronel Paulo Jorge Lhamas de Souza respondeu ao comandante-geral da Polícia Militar de Roraima Márcio Santiago, ontem, depois de ter sido solto no sábado (24). Paulo Lhamas passou três dias presos na Academia de Polícia Militar sob acusação de insubordinação e desacato à autoridade do seu superior.

Ao repassar para a imprensa documentos e cópias de processos que comprovariam as acusações feitas contra comandante-geral da PM, o tenente-coronel Paulo Lhamas afirmou não se sentir seguro com a permanência de Santiago à frente da corporação. Chegou mesmo a dizer que qualquer coisa que venha a acontecer com ele ou com sua família será da inteira responsabilidade do governador Anchieta Júnior (PSDB), caso Mácio Santiago seja mantido no comando da PM. “Que polícia nós vamos ter com um comandante desse?”, questionou Paulo Lhamas.

Paulo Lhama está recebendo assessoria e assistência da Associação dos Policiais e Bombeiros do ex-Território. Ele chegou a afirmar que o comandante da PM é “um bandido de farda”, parafraseando artigo publicado pela imprensa local no final da década de 1990 que trata do envolvimento de Santiago em atos de violência sob efeito de álcool. Consta da documentação entregue por Paulo Lhamas à imprensa recortes de jornais que trazem matérias e artigos noticiando envolvimento de Márcio Santiago em uma tentativa de homicídio contra um taxista em 1997. Resumos de processos que tramitam no Tribunal de Justiça de Roraima, nos quais Santiago responde por tentativas de homicídio, dentre outros crimes, foram apresentados à imprensa.

O presidente da Associação dos Policias e Bombeiros o ex-Território Ronan Marinho disse que as condutas adotadas por Márcio Santiago e que geraram os processos judiciais são “impróprias para um oificial da polícia”. Marinho afirmou que Santiago não tem as mínimas condições de dirigir a Polícia Militar. A Associação dos Policiais vai encaminhar toda a documentação apresentada por Paulo Lhamas à Procuradoria Geral de Justiça do Estado, com a finalidade de que se abra um processo administrativo contra ele.

Estiveram presentes à entrevista coletiva concedida por Paulo Lhamas repórteres da TV Roraima, TV Caburaí, TV Imperial, TV Ativa, TV Cidade, Folha de Boa Vista, site Fonte Brasil, Rádio Folha, além do editor deste blog.

Comentário do Editor

As acusações de Paulo Lhamas contra o comandante-geral da Polícia Militar de Roraima são por demais sérias. A papelada entregue à imprensa tem procedência e o governo estadual precisa tomar uma providência sobre a questão. Afinal, trata-se de uma crise institucional que se instalou dentro de um dos organismos responsáveis por promover a segurança dos cidadãos roraimenses. Uma coisa é certa: o histórico de Márcio Santiago parece comprometedor, a tirar pelos processos movidos contra ele na Justiça.

Por outro lado, também fica claro que se trata de uma briga pelo poder dentro da Polícia Militar. São dois oficiais conhecidos que se não tinham diferenças anteriores, agora encontraram motivos para tê-las e, daí, se iniciou uma disputa de cabo-de-guerra para ver quem tem mais força. O comando-geral da Polícia Militar é um posto que confere poder e prestígio a quem o ocupa. Disso não há dúvidas. E, por isso mesmo, é bastante cobiçado. Mas, uma coisa não se pode negar: se todas as denúncias que pesam contra o comandante Márcio Santiago forem, de fato, verdadeiras, ele não tem condições de permanecer à frente da corporação.

Cabe dizer aqui que o editor do blog buscou ouvir o outro lado - ou seja - a versão de Márcio Santiago, mas sua chefia de gabinete dissse que o caso já está na Justiça e não há o que comentar a respeito. Mesmo assim, forneceu um número de telefone celular para que a reportagem mantivesse contato com o comandante da PM. Porém, a chamada caiu na caixa de mensagens nas tentativas feitas. O espaço continua aberta para as explicações do comandante Márcio Santiago.

 

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