O jornal O Globo noticiou hoje que um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) traz informações sobre a venda de terras na Amazônia pelo empresário sueco Johan Eliasch, que é consultor do primeiro-ministro inglês Gordon Brown.

Eliasch chegou a avaliar que seria possível comprar toda a Floresta Amazônica por US$ 50 bilhões. Com tal declaração ele busca incentivar empreendedores da Inglaterra a adquirirem terras na Amazônia brasileira. O caso está sob investigação da Polícia Federal e da Abin.

Há informações segundo as quais Eliasch teria comprado nada menos que 160 mil hectares de terra no Amazonas e em Mato Grosso.

Ontem, por sua vez, a Rede Record de televisão mostrou ampla reportagem no programa Domingo Espetacular sobre as investidas internacionais para ter domínio sobre a região. Na semana passada, o jornal The New York Times trouxe matéria dizendo que a Amazônia deve ser declarada patrimônio internacional.

O jornal inglês The Independent há alguns dias também publicou materia na qual afirmava que a Amazônia é importante demais para ser deixada sob os cuidados do Brasil.

Como resposta, hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma no jornal O GLOBO que a Amazônia tem dono, sim:

- Eu queria aproveitar para dizer aqui que o mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono, e que o dono da Amazônia é o povo brasileiro. São os índios, são os seringueiros , são os pescadores e também somos nós, que somos brasileiros, e que temos consciência de que é preciso diminuir o desmatamento, é preciso diminuir as queimadas, mas também temos consciência de que precisamos desenvolver a Amazônia.

Muita genta ainda acredita que os alertas sobre os riscos de internacionalização da Amazônia não passam de teoria da conspiração. Mas está ficando cada vez mais evidente que países como Estados Unidos e Inglaterra, que não cuidaram e nem cuida bem do seu meio ambiente, estão de olho na Amazônia.

Aliás, depois do petróleo do Oriente Médio, a água e a biodiversidade amazônicas podem ser os próximos argumentos dos EUA e seus aliados para tentar intervir “cirurgicamente” no Brasil.

A ausência do Estado na região abre precedentes para isso. Se o Brasil não cuidar da Amazônia, logo, logo vai aparecer um dono estrangeiro para fazê-lo. É isso.

Imagem: Valdemir Cunha/Revista Terra

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