A um dia da postagem coletiva contra o analfabetismo no Brasil, ápice da campanha da blogosfera brasileira contra o analfabetismo, professores da rede municipal de ensino de Boa Vista (RR) paralisam as atividades reivindicando melhorias. O que tem a ver uma coisa com a outra? Ora, ora, são os professores municipais os responsáveis pela alfabetização e letramento das nossas crianças.

Em protesto em frente à Secretaria de Educação do Município, dezenas de professores reclamam a aprovação de um novo Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) garantindo direitos como:

1) redução da carga horária de trabalho de 30horas para 25horas/aula semanais;

2) incorporação do abono do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica) ao salário;

3) e gratificação por qualificação.

Os professores municipais ainda requerem o pagamento retroativo do enquadramento do Plano de Cargos e Salários que, segundo a categoria, foi pago com distorções em março de 2006.

Outro reclame é pela comprovação da prestação de contas do Fundeb ao Sindicato dos Professores.

Esta é apenas mais uma das tantas paralisações de educadores que tenho assistido desde que aportei em Roraima em 2002. Os professores vivem em constante mobilização pela melhorida das condições de trabalho e por uma remuneração justa.

Nada mais compreensinvo. Afinal, trata-se da profissão das profissões. Todo profissional, em qualquer área do conhecimento, chegou aonde chegou depois de passar pelas mãos de professores que ajudaram a construir sua formação.

Porém, no Brasil, a profissão de professor é uma das mais desprestigidadas. O salário é sempre aviltante em relação à responsabilidade e à carga de trabalho a que é submetido um professor. Isso sem falar nas condições de trabalho que nem sempre são das melhores nas escolas públicas.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) tem mostrado ano a ano que algo está errado na política educacional brasileira. Um dos erros, com certeza, é a falta de valorização dos professores, haja vista que quando se falou num piso salarial base para a caegoria em nível nacional foi apresentado um risível valor de R$ 800,00. Não precisa dizer mais nada.

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