Tive a minha primeira experiência como professor em 1997. Havia ingressado no Curso de Letras da Universidade regional do Cariri (Crato-Ceará) no ano anterior e acabei por ser convidado para ministrar aulas de língua portuguesa numa escola particular - uma das mais tradicionais da minha cidade - voltada para alunos de classe média-alta.

No ano seguinte, mudei de escola e passei a lecionar português e inglês para alunos da 5ª a 8ª série. Em 2001, com um ano de atraso por ter que me dividir entre o estudo, a recém iniciada vida de casado e o trabalho de jornalista/radialista, conclui o Curso de Letras. No ano seguite (2002), desembarquei em Roraima onde viria a ter a minha mais gratificante experiência na área da educação.

Foi aqui, já contratado como professor da rede estadual de ensino, que travei minha primeira experiência com uma sala de Educação de Jovens e Adultos. Trata-se de um público adorável, composto de pessoas que não tiveram oportunidade de estudar quando mais jovens ou tiveram que interromper a vida estudantil por uma série de motivos pessoais, e retomaram os estudos já na idade adulta.

Como foi gratificante a vivência com essas pessoas! Recebia de meus alunos uma atenção toda especial e procurava retribuir da melhor maneira possível, repassando-lhes tudo o que havia aprendido na minha até então breve história de educador. Oferecia-lhes o meu melhor. Parte dos meus alunos eram pessoas com dificuldades extremas no trato com a língua portuguesa, com problemas de falta de leitura. Mas hoje tenho a grata satisfação de encontrar alguns deles na faculdade, inclusive como alunos meus no curso de jornalismo. Como isso é bom!

Mas carrego comigo uma insatisfação imensa: como ainda existem pessoas semi-alfabetizadas em nosso país e em Roraima em particular! E me questiono: o que posso fazer para amenizar esse problema? Por esses dias estava discutindo com uma colega agitadora cultural, poetisa, a Zanny Adairalba, sobre um projeto conjunto para trabalharmos com alfabetização, incetivo à leitura e noções de comunicação comunitária, por meio de aulas de aufabetização, um projeto de rádio comunitária e produções de vídeo-documentários.

Trata-se de um projeto que ainda está sendo elaborado, mas que vou me empenhar com afinco para conseguir por em prática. Lógico que precisaremos de apoios diversos, mas buscaremos apresentar o projeto a orgãos financiadores desse tipo de iniciativa, como a Petrobras, para que possamos realizá-lo. A idéia é atender comunidades carentes nos bairros periféricos de Boa Vista, capital de Roraima, e nos municípios do interior, onde crianças e jovens ficam jogados à própria sorte.

Esta será uma iniciativa com a qual buscarei contribuir para amenizar esse estigma do analfabistmo no Brasil. É inconcebível que um país seja ao mesmo tempo tão rico e tão miserável.

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