CIR chama entidades a fazer pressão pela não revisão da demarcação da Raposa

30 abril, 2008 por Luiz Valério

O Conselho Indígena de Roraima lançou mais um manifesto, desta vez solicitando o apoio de entidades e organizações sociais para se posicionarem contra uma possível decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela revisão da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. O manifesto foi intitulado ““Anna pata Annayan”, que quer dizer “Nossa terra, nossa mãe”.

Eis um trecho do manifesto do CIR:

“A luta pela Terra Indígena Raposa Serra do Sol é emblemática para todo o Brasil. Por isso, é importante destacar que se a decisão do Supremo Tribunal Federal for a favor dos invasores, abre-se um precedente gravíssimo na legislação brasileira. Todas as terras indígenas do Brasil, já demarcadas, homologadas e registradas, poderão ser contestadas e revisadas. Isto seria um grande retrocesso nos direitos indígenas, conquistados e consagrados pela Constituição Federal, direito internacional: Convenção 169 da OIT e declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas”.

Junto com o manifesto, o CIR divulgou um modelo de carta a ser direcionada ao Presidente da República e aos ministros do STF da qual segue um tracho abaixo:

“Entendemos que a ratificação do decreto de homologação da Terra indígena Raposa Serra do Sol, é fundamental para os povos indígenas de Roraima e do Brasil, uma vez que já harmonizou vários interesses públicos nacionais. No entanto, se a decisão do Supremo Tribunal Federal for a favor dos invasores, abre-se um gravíssimo precedente na legislação brasileira. Todas as terras indígenas do Brasil, já demarcadas, homologadas e registradas, poderão ser contestadas e revisadas”.

O CIR também divulgou o número dos telefones e o endereço de email de todos os ministros do STF para que os interessados possam mandar a correspondência e fazer pressão contra a revisão da demarcação. Se antes os arrozeiros apelaram contra a retirada dos não índios da reserva indígena até incitando a violência, agora é a vez do CIR fazer a sua pressão, só que usando meios intelectualizados.

Rápidas, diretas e perturbadoras

30 abril, 2008 por Luiz Valério

Medo do povo
Mais uma vez a cena se repetiu. Sempre que o Plenário da Assembléia Legislativa fica cheio de manifestantes, seja de qual categoria for, alguns deputados se mostram temerosos. Na terça-feira (29), o deputado Rodolfo Braga (PTN) ensaiou o esvaziamento da Casa, devido à presença dos professores que cobravam mudanças na lei que trata do rateio dos resíduos do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica, cujo montante supera os R$ 8 milhões.

Cassado e no poder
Tenho sido questionado por colegas jornalistas sobre a situação do deputado Chico das Verduras (PRP). Desde o início do ano que ele está com o seu mandato cassado pela Justiça Eleitoral, faltando apenas a publicação do acórdão, coisa que em tese não demanda tanto tempo assim. Porém, ele continua exercendo o cargo de deputado normalmente. A pergunta é: a Justiça esqueceu do acórdão no fundo da gaveta?

Faz de conta
E afinal, o deputado federal Luciano de Castro (PR) vai ser apenas figurante na próximas eleições municipais? Por mais que se diga o contrário, parece evidente que com a aproximação do govenrador Anchieta Júnior (PSDB) com o grupo político o senador Romero Jucá (PMDB), o apoio do governo, de fato, será dado ao prefeito de Boa Vista e candidato a reeleição, Iradilson Sampaio (PSB). Dizer o contrário é querer por papa na boca de criança.

Relações perigosas
A situação de Luciano Castro é mesmo delicada, quando o assunto é apoio político. Um dos motivos é a relação política Anchieta/Jucá. O outro é a insistência do deputado em indicar como candidata a vereadora a sua pupila Janice Coelho - a garota Patrulha (caça voto) 94. Quais pretendentes a uma vaga na Câmara Municipal de Boa Vista, em sã consciência, vai dar seu apoio a um candidato a prefeito que já leva consigo uma concorrente de peso e com toda uma maquina midiática e muito dinheiro a seu favor?

Casa vazia
Hoje, para variar, o Plenário da Assembléia Legislativa de Roraima estava quase vazio. A ausência de deputados às sessões já virou rotina.

Perguntar não ofende
A quem pertence as empresas contratadas pelo Governo do Estado para fazer a destoca dos lotes visando a preparação dos terrenos para o plantio? Alguém pode responder?

Termina hoje prazo para prestação de contas por partidos

30 abril, 2008 por Luiz Valério

Termina nesta quarta-feira (30) o prazo para que os partidos políticos entreguem à Justiça Eleitoral a prestação de contas anual referente ao ano de 2007.

O Sistema de Acompanhamento de Documentos e Processos do Tribunal Superior Eleitoral (SADP/TSE) até as 18 horas de ontem acusava que apenas os diretórios nacionais do Partido Social Cristão (PSC), o Partido Republicano Progressista (PRP), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido Progressista (PP), o Partido Trabalhista Nacional (PTN), o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) tinham sete diretórios nacionais de partidos haviam apresentado suas prestações de contas:. As legendas que não o fizerem podem perder o direito às cotas do Fundo Partidário, conforme estabelece o artigo 37 da Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95). Atualmente existem 27 partidos registrados no TSE.

As Executivas Nacionais deverão apresentar suas contas ao TSE, em Brasília. Já os Diretórios Estaduais as encaminham aos Tribunais Regionais Eleitorais (TRE’s) e os Diretórios Municipais, à Zona Eleitoral. Estas prestações de contas deverão espelhar toda a movimentação financeira dos partidos no exercício de 2007, de 1º de janeiro a 31 de dezembro, inclusive com os eventuais repasses do Fundo Partidário.

A jurisprudência do TSE já estabeleceu que não cabe Recurso Especial contra acórdão de Tribunal Regional Eleitoral que examina prestação de contas eleitorais, por constituir matéria eminentemente administrativa. Além disso, embora não haja prazo para o Tribunal analisar as contas, os partidos políticos que não prestarem contas à Justiça Eleitoral estão sujeitos à suspensão do repasse de novas cotas do Fundo Partidário, independentemente da data de julgamento da prestação de contas, caso não apresentem o balanço contábil até amanhã.

Cientistas querem criar pequenos buracos negros com acelerador de partículas gigante

28 abril, 2008 por Luiz Valério


Um dos poucos programa de televisão de gosto de ver à noite é o Programa do Jô. O “Gordo” sempre leva entrevistados interessantes para um bate-papo informal que, muitas vezes, acaba por se transformar numa conversa muito proveitosa.

Semana passada, Jô Soares entrevistou uma dupla de físicos que lençou um livro sobre buracos-negros. E foi a partir dessa conversa que fiquei sabendo sobre a experiência que está sendo feita na fronteira da Suiça com a França.

Lá está sendo construído o Large Hadron Collider, um acelerador de partículas que, entre outras coisas, pretende criar pequenos buracos negros para serem estudados pelos cientistas. O projeto deverá custar, quando concluído, algo entre cinco e dez bilhões de dólares.

É um experimento de grandes proporções em todos os sentidos. Tem, por exemplo, 27Km de circunferência e deverá empregar cerca de 7000 cientistas. Além dos buracos negros que se pretende produzir com o LHC, os cientistas também querem encontrar a explicação para a diferença entre partículas com e sem massa, ou seja, querem descobrir a partícula Higgs.

Preocupados com os resultados que podem vir do experimento - há o temor de que um buraco negro engula a terra - já há pessoas realiznado protestos contra a continuidade da construção do LHC.

O blogueiro Carlos Cardoso escreveu no Meio Bit um post muito interessante sobre o assunto e que me trouxe a lembrança da entrevista com os físicos que vi no Programa do Jô, motivando a escritura deste post.

Leia o post do Cardoso e saiba mais.

PS - A foto que ilustra este post também foi uma indicação do Cardoso.

Imprensa, poder e ética

25 abril, 2008 por Luiz Valério


Um dos principais questionamentos feitos pelos meus alunos nas aulas de Ética e Legislação em Jornalismo é com relação ao que eu acho da qualidade da imprensa roraimense. Às vezes penso que o questionamento é feito para me testar, mas sempre respondo de forma honesta.

Digo-lhes que a exemplo do que ocorre com os veículos de Comunicação do país inteiro - nessa busca frenética e às vezes irresponsável por audiência - a qualidade da imprensa local deixa muito a desejar. Aliás, tem caído vertiginosamente. A programação televisiva aqui e alhures é péssima, de um sensacionalismo nauseante.

Em nível nacional, o que demonstra bem a característica sensadionalista da mídia é a cobertura do “caso Isabela Nardoni”. A imprensa brasileira, levada por certo exibicinismo dos responsáveis pela investigação do caso - o que me faz lembrar, inevitavelmente, o emblemático caso da Escola Base - está partindo para um prejulgamento perigoso.

Pois é. Aqui em Roraima a situação é mais delicada devido à falta de disposição dos proprietários de veículos de Comunicação em investir nos departamentos de jornalismo. Quando o fazem - e só o fazem - em período pré-eleitoral é com a clara intenção de influenciar na decisão dos eleitores ou de atacar os seus adversários.

A propósito, está bem próximo o período em que os apresentadores de rádio e televisão - que sempre se colocam no papel de cães-de-guarda amestrados na defesa dos ineteresses dos seus patrões - começarão a esbravejar nas ondas eletromagnéticas. Ou, de outro modo, a linha editoral dos programas noticiosos, que já é tosca desde a sua concepção, passará a ser ainda pior.

Mas, como eu disse, o panorama é este no país inteiro. Tudo porque grande parte das concessões de emissoras de rádio e televisão está exatamente nas mãos de políticos ou de parentes e aderentes e demais sujeitos alaranjados.

Imagem: Spectrum Weblog

Cadê o compromisso?

24 abril, 2008 por Luiz Valério

Faz tempo que eu venho falando sobre a aparente falta de compromisso de alguns deputados estaduais de Roraima no que diz respeito ao desempenho da sua função.

Está cada vez mais frequente vermos o plenário esvaziado durante as sessões ordinárias e, principalmente, quando um ou outro deputado faz uso da tribuna.

Esta manhã a deputada Marília Pinto (PSDB) deu um puxão de orelhas nos seus colegas, afirmando categoricamente que o esvaziamento do plenário da Casa denota falta de zelo para com a função para a qual foram eleitos.

“Não adianta nada ficarmos aqui jogando pedra nos porcos, quando não somos capazes de cumprir com a nossa função constitucional, que é nos fazer presentes ao plenário”, afirmou

Marília disse que o uso da tribuna pelos parlamentares é o momento exato para que sejam travados debates sadios em torno de assuntos de interessa da sociedade.

Ela tinha razão. Enquanto o painel eletrônico da Assembléia anunciava a presença de 19 deputados, apenas 11 estavam presentes no plenário. A Assembléia Legislativa de Roraima é composta por 24 deputados.

PS - Marília também pregou a independência do Poder Legislativo em relação ao Executivo. Falou que não pode haver subserviência do parlamento ao governo. Esse discurso, porém, ela não usava quando o seu pai - o falecido Ottomar Pinto - exercia o cargo de governador. Mas os tempos, decisivamente, são outros.

Cada um no seu lugar - viva a democracia!

22 abril, 2008 por Luiz Valério


Fico sempre espantado quando ouço vozes pregando o endurecimento de posições das Forças Armadas contra o governo brasileiro.

Afinal, há pouco mais de 40 anos (1964-1985) o Brasil mergulhou no período negro da ditadura militar, quando o país foi varrido por uma onda de violência, desrespeito aos direitos civis, censura à imprensa, corrupção, pânico, terror…

Hoje, em nome da defesa da soberania nacional, aqui em Roraima autoridades políticas vivem pregando a desobediência civil e militar em relação ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Ouço estarrecido as incitações para que as Forças Armadas tenham pulso firme e confrontem opiniões contra o chefe maior da Nação, que, por direito constitucional, é também o comandante maior da Marinha, Exército e Aeronáutica.

Será que os homens públicos que incitam os militares a confrontar com o presidente da República já se esqueceram dos terríveis registros históricos da ditadura? Será que dando asas para que as Forças Armadas desobedeçam ou se sobreponham às ordens do chefe da Nação não se estaria abrindo precedente para que novamente o gosto inebriante do poder suba à cabeça dos militares?

Vivemos um novo tempo em que a democracia, ainda que embrionárioa e meio capenga no Brasil, é a nossa principal conquista. Alguém que viveu os “anos de chumbo” tem saudade daquele período? Será que há alguém que sinta saudade?

Para quem não sabe nada da história recente do país, foi no período do (des)governo militar que a corrupção se incrustrou no país, transformando-se num mal orgânico que chegou ao estágio cancerígeno que carcome a estrutura de todas as instâncias do poder atualmente.

Os militares que assumiram (tomaram) o poder na década de 60 abriram as portas do país para o capital internacional, permitindo a invasão do território brasileiro por empresas transnacionais que aplicaram seu dinheiro aqui e levaram parte das nossas riquezas embora.

Afinal, não custa nada lembrar, que as didaturas instaladas na América Latina naquele período negro contou com o apoio logístico do governo americano. O mesmo governo americano que, quando lhe foi conveniente, criou monstros políticos como Sandam Hussein e Osama Bin Laden.

Hoje, me passa um frio pela espinha sempre que ouço verborragias reacionárias pregando o choque entre o poder civil que governa o país e os militares que compões são forças de segurança subalternas ao presidente.

As Forças Armadas têm o seu inegável valor para garantia da segurança e da soberania nacionais. Mas elas têm que continuar desempenhando o seu papel de cordo com o que dita a Carta Magna do país, ou seja, sob as determinações do Presidente da República.

Do contrário, rasguem a Constituição e fechem o país para balanço!

CIR denunciará não saída de rizicultores à ONU

21 abril, 2008 por Luiz Valério

Estava até demorando para que as entidades indígenas de Roraima ameaçassem levar o caso da não saída dos não-índios da Raposa/Serra do Sol à Organização das Nações Unidas (ONU). Essa ação já era esperada uma vez que, sentido-se desrespeitados no cumprimento dos seus direitos, os índios roraimenses sempre recorram à ONU, através do Conselho Indígena de Roraima CIR).

Agora há pouco me chegou por e-mail a confirmação da notícia de que advogada do CIR, Joênia Wapichana, integra a delegação de índios brasileiros que vai relatar os últimos acontecimentos ocorridos na reserva indígena localizada em Roraima na 6ª Sessão do Fórum Permanente da ONU para Assuntos Indígenas. O fórum acontecerá no período de 21 de abril a 3 de maio, em Nova Iorque, Estados Unidos.

Além da denúncia acerca do desrespeito aos direitos dos povos indígenas, a delegação brasileira apresentará ainda os resultados e orientações do Abril Indígena, que foi realizado na Capital Federal (Brasília) no período de 15 a 17 de abril de 2008, para o conhecimento da ONU e de organizações indígenas de todas as partes do mundo.

O comunicado do CIR em uma das suas passagens diz o seguinte:

“O Conselho Indígena de Roraima levará suas preocupações às instâncias internacionais competentes solicitando que o Estado Brasileiro continue a ser monitorado e apoiado no cumprimento da Constituição e dos Tratados Internacionais firmados além dos compromissos assumidos em relação à Declaração da ONU sobre Direitos Indígenas”.

A índia Joênia Wapichana, que representa o CIR na ONU, diz ter a expectativa de que Direito Internacional some-se aos esforços locais para fazer valer os direitos dos povos indígenas da Raposa Serra do Sol, que é exemplo para os povos indígenas do Brasil.

Anualmente, o Fórum Permanente da ONU reúne suas agências e órgãos entre outros organismos internacionais para dialogar com representantes dos Governos e das organizações indígenas sobre assuntos indígenas. Foram escolhidos como eixos temáticos para o debate deste ano a Mudança Climática e o papel protagonista dos Povos Indígenas.

Blogs unidos pelos Direitos Humanos

20 abril, 2008 por Luiz Valério

O Bloggers Unite, lançou uma campanha em defesa dos direitos humanos básicos no mundo. A iniciativa marca a passagem do primeiro aniversário do blog colaborativo-ativista.

O tema da campanha foi escolhido pelo BlogCatalog, que é um diretório de blog que reúne blogueiros ativistas de todos os cantos do planeta que estão sempre de olho nas violações contra a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

A chamada convocatória é para que em 15 de maio blogueiros de todo o mundo se unam numa blogagem coletiva pelos Direitos Humanos, indicando povos que estejam tendo seus direitos violados.

O convite é para que se defenda o direito à vida, à liberdade, e à justiça. “Há muitos aspectos dos Direitos Humanos sobre os quais você pode escrever”, diz a convocação do Bloggers Unite.

Alguns tópicos sugeridos para blogagem são: assassinatos de jornalistas; a censura da Internet a fim impedir a liberdade da expressão; punições ásperas que incluem a tortura e trabalho forçado; assédio sexual contra mulheres por membros das forças armadas ou de milícias, entre outros.

Então, está feito o convite para você que me lê agora se juntar a mais essa causa, no dia 15 de maio. O tema sobre o qual vai escrever quem escolhe é você.

Nota do Editor: este blog já se filiou ao Bloggers Unite e também integra a campanha.

Dengue: a contribuição dos desleixados

19 abril, 2008 por Luiz Valério

Um dos problemas que dificultam o combate à dengue em Roraima são os muitos terrenos baldios abandonados pelos seus proprietários principalmente na capital, Boa Vista.

Tomadas pelo matagal, essas propriedades acabam por servir como criadouros para o mosquito aedes aegipty, devido ao acúmulo de lixo.

Para piorar a situação, alguns desses lotes pertencem pessoas detentoras de cargos políticos, que mesmo sendo informadas da situação dos seus terrenos fazem vista grossa.

De outro lado, o poder público, mesmo notificado da situação, não adota providências. Um exemplo: do lado da casa deste blogueiro há um imenso terreno baldio pertencente a uma deputada estadual, que mesmo instada a cuidar da sua propriedade não tomou nenhuma providência.

O matagal toma conta do local e cães vadios levam lixo para lá, propiciando a proliferação do mosquito da dengue. Já foram feitas duas denúncias à prefeitura de Boa Vista para que sejam tomadas as medidas cabíveis, mas até agora, nada.

É daí que se pode medir o grau de compromisso de determinados políticos para com o bem-estar da população. Muitos não cuidam nem do que é seu…

Dia do Índio

19 abril, 2008 por Luiz Valério

Hoje é Dia do Índio. Em Roraima a passagam da data é marcada pelo início do movimento de resistência, agora da parte dos índios que defendem a saída dos não-índios da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol, pela efetivação da homologação da reserva.

O início de mês de abril foi marcado pelo confronto político-ideológico entre indígenas rorimenses pelo mesmo motivo, que é a luta pela terra na Raposa Serra do Sol. O grupo de índios ligado aos rizicultores defendem a permanência destes na área. Os indígnas alinhados ao Conselho Indígena de Roraima estão integrados no movimento “Terra Livre”, que prega a rsistência “até o último índio” pela retirada dos rizicultores da região.

Fui buscar no blog Pavulagem da Rô, da blogueira Roseane, que escreve da Alemanha, um apanhado histórico sobre a data. Ela conseguiu resumir muito bem todos os acontecimentos que permeiam a causa indígena no Brasil, desde 1943:

“Desde 1943, o Brasil celebra o Dia do Índio, no dia 19 de abril, como desdobramento do I Congresso Indigenista Interamericano no México, em 1940.

O Brasil já teve mais de 5 milhões de indígenas, hoje são em torno de 450 mil, distribuídos em 210 povos, e cerca de 170 línguas, vivendo em situação de miséria, exclusão, fome, discriminação e injustiças sociais.

O dia do indío é dia de celebração, mas também de luta e reinvidicação dos povos indígenas por seus direitos violados, pelo respeito à sua cultura e a seu modo de viver.

Apesar do direito às suas terras tradicionais estar na Constituição Federal desde 1988, a maioria dos povos indígenas ainda não tem sua terra demarcada e protegida. A terra é mais que simples moradia; a terra para os indígenas tem valores representativos da própria sobrevivência humana (físical, social e cultural).

A violência contra e entre os indígenas, incluindo suicídios, aumentou muito. O número de indígenas assassinados cresceu 64% em um ano. A violência, a criminalização das lutas índigenas e de suas lideranças, assassinatos e homícidios, estão ligados a disputa pela terra.

E como se não bastasse, ainda existem indígenas em situação de trabalho escravo, com números alarmantes. Todos os índices negativos são muito mais altos quando se trata dos povos indígenas. Os indíces de desnutrição e mortalidade infantil entre as crianças indígenas são bem maiores que não indígenas.

O direito humano à alimentação adequada não é respeitado e os povos indígenas continuam sofrendo com essa violação e com fome de justiça”.

Resta dizer que a causa e nobre e merece apoio.

Não deixe que Roraima vire um Rio

18 abril, 2008 por Luiz Valério

Começo hoje, aqui no blog, uma campanha de sensibilização para ações de combate à dengue em Roraima. Para que o estado não vire um Rio de Janeiro, no que diz respeito à epidemia de dengue, é preciso que cada um faça a sua parte.

E eu já inicio dizendo que já foram notificados este ano nada menos que 320 casos de dengue em Boa Vista, conforme dados fornecidos pela Assessoria de Comunicação da prefeitura da Capital. Dividindo esse número pelos quatro meses ainda inconclusos, pois que estamos em meados de abril, temos 80 casos de dengue por mês. isso é muito.

O mais preocupante: ainda de acordo com a Ascom da Prefeitura, esta semana cinco crianças deram entrada no Hospital da Criança Santo Antônio com os sintomas de agravo da dengue, o que levantou suspeita de dengue hemorrágica. Elas receberam os cuidados necessários, conseguiram se recuperar e já tiveram alta da Unidade.


Então, para que não vivamos um drama igual aos nossos irmãos cariocas, precisamos eliminar de nossos quintais qualquer objetov que possa acumular água e servir de criatório de mosquito Aedes Aegipty. Portante, recolha latas de cerveja, garrafas, copos descartavéis, pneus velhos, baldes e qualquer outro recipiente que acumule água.

Para quem tem plantas em casas, é bom dar uma verificada frequentes nos vaos para renovar a água ou eliminar a que estiver armazenada. Aconselho colocar areia nos vasos das plantas para não dar chance ao mosquito da dengue. Também não jogue lixo pelas calçadas da cidade. A saúde da comunidade agradece.

Estarei constantemente publicando notas com orientações e observações sobre como combater a dengue. Também estarei denunciado com fotos os desleixados que negligenciarem no que diz respeito aos cuidados necessários para evitar uma epidemia. Não podemos apenas cobrar ações do poder público. Temos que fazer a nossa parte.

Imagem: blog de Alcinéa Cavalcante

Informações úteis sobre a dengue

18 abril, 2008 por Luiz Valério

Tipos da doença:

Dengue clássica: Os sintomas podem variar. Geralmente, a primeira manifestação é a febre de 39 a 40ºC, seguida de dor de cabeça, dor nas articulações, perda de apetite, náuseas e vômitos. Alguns aspectos clínicos podem estar relacionados com a idade do paciente. A dor abdominal generalizada pode ocorrer, principalmente, nas crianças.

A duração da doença varia de 5 a 7 dias. Geralmente com o desaparecimento da febre ocorre a regressão dos sinais e dos sintomas, podendo ainda persistir a fadiga.

Febre hemorrágica da dengue (FHD): Os sintomas iniciais são semelhantes aos da dengue clássica, porém rapidamente evoluem para manifestações hemorrágicas. Os casos típicos da FHD são caracterizados por febre alta, fenômenos hemorrágicos e insuficiência circulatória.

A definição de caso de FHD, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), consiste nos seguintes critérios:

1) febre;
2) manifestações hemorrágicas, incluindo pelo menos uma prova de laço positiva (exceto em casos de choque) e, possivelmente, fenômenos de sangramento menores ou maiores;
3) trombocitopenia (redução do número de plaquetas do sangue – 100.000 mm3 ou menos);
4) hemoconcentração: hemotócríto aumentado em 20% ou mais, ou evidência objetiva de aumento da permeabilidade capilar.

Blogagem coletiva: vamos por um fim no analfabetismo

18 abril, 2008 por Luiz Valério


Tive a minha primeira experiência como professor em 1997. Havia ingressado no Curso de Letras da Universidade regional do Cariri (Crato-Ceará) no ano anterior e acabei por ser convidado para ministrar aulas de língua portuguesa numa escola particular - uma das mais tradicionais da minha cidade - voltada para alunos de classe média-alta.

No ano seguinte, mudei de escola e passei a lecionar português e inglês para alunos da 5ª a 8ª série. Em 2001, com um ano de atraso por ter que me dividir entre o estudo, a recém iniciada vida de casado e o trabalho de jornalista/radialista, conclui o Curso de Letras. No ano seguite (2002), desembarquei em Roraima onde viria a ter a minha mais gratificante experiência na área da educação.

Foi aqui, já contratado como professor da rede estadual de ensino, que travei minha primeira experiência com uma sala de Educação de Jovens e Adultos. Trata-se de um público adorável, composto de pessoas que não tiveram oportunidade de estudar quando mais jovens ou tiveram que interromper a vida estudantil por uma série de motivos pessoais, e retomaram os estudos já na idade adulta.

Como foi gratificante a vivência com essas pessoas! Recebia de meus alunos uma atenção toda especial e procurava retribuir da melhor maneira possível, repassando-lhes tudo o que havia aprendido na minha até então breve história de educador. Oferecia-lhes o meu melhor. Parte dos meus alunos eram pessoas com dificuldades extremas no trato com a língua portuguesa, com problemas de falta de leitura. Mas hoje tenho a grata satisfação de encontrar alguns deles na faculdade, inclusive como alunos meus no curso de jornalismo. Como isso é bom!

Mas carrego comigo uma insatisfação imensa: como ainda existem pessoas semi-alfabetizadas em nosso país e em Roraima em particular! E me questiono: o que posso fazer para amenizar esse problema? Por esses dias estava discutindo com uma colega agitadora cultural, poetisa, a Zanny Adairalba, sobre um projeto conjunto para trabalharmos com alfabetização, incetivo à leitura e noções de comunicação comunitária, por meio de aulas de aufabetização, um projeto de rádio comunitária e produções de vídeo-documentários.

Trata-se de um projeto que ainda está sendo elaborado, mas que vou me empenhar com afinco para conseguir por em prática. Lógico que precisaremos de apoios diversos, mas buscaremos apresentar o projeto a orgãos financiadores desse tipo de iniciativa, como a Petrobras, para que possamos realizá-lo. A idéia é atender comunidades carentes nos bairros periféricos de Boa Vista, capital de Roraima, e nos municípios do interior, onde crianças e jovens ficam jogados à própria sorte.

Esta será uma iniciativa com a qual buscarei contribuir para amenizar esse estigma do analfabistmo no Brasil. É inconcebível que um país seja ao mesmo tempo tão rico e tão miserável.

CIR lança manifesto pela desintrusão da Raposa/Serra do Sol

17 abril, 2008 por Luiz Valério


Foto: Platão Arantes

O Conselho Indígena de Roraima (CIR) divulgou agora há pouco um manifesto no qual faz o lançamento do movimento “Terra Livre” pela retirada dos não índios da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol. O movimento reclama a consolidação da homologação da reserva indígena, com a retirada dos “brancos” e rizicultores da região.

Como estratégia de mobilização, o CIR vai fazer a ocupação da maloca do Barro, antiga Vila Surumú, com 300 índios como forma de pressionar o governo federal para fazer a retirada dos rizicultores da área. Conforme o manifesto do CIR, a expectativa é chegar aos “a 5.000 índios dispostos a defender a terra dos ataques terroristas dos invasores”.

Na semana passada o Supremo Tribunal Federal (STF) em atendimento a um recurso impetrado pelo governo de Roraima, decidiu, por unanimidade, mandar suspender a Operação Upatakon 3, que tinha por objetivo fazer a retirada dos não-índios da Raposa/Serra do Sol. A medida desagradou ao CIR e culminou com o movimento que ora se inicia.

Leia abaixo a íntegra do manifesto do Conselho Indigena de Roraima:

Terra Livre: resistir até o último índio
Nós, comunidades indígenas da Raposa Serra do Sol, iniciamos a partir de hoje, 18 de abril, o movimento “Terra Livre: resistir até o ultimo índio”, com o objetivo de consolidar o decreto de homologação da Raposa Serra do Sol, assinado há mais de três anos pelo presidente da República.

A partir desta data, 300 indígenas estarão acampados na maloca do Barro, que um dia já foi chamada pelos ‘brancos’ de vila Surumu ou Vila Pereira. Caso não seja respeitado o decreto de homologação, o nosso movimento chegará a 5.000 índios dispostos a defender a terra dos ataques terroristas dos invasores.

Nós, em nossas assembléias, decidimos dar 48 horas para o invasor da nossa terra, Sr. Paulo César Quartieiro deixar espontaneamente a terra indígena Raposa Serra do Sol, uma vez a Funai já depositou o valor de sua indenização em juízo. Com isso entendemos, se o mesmo quiser questionar o valor da indenização que seja fora da terra indígena Raposa Serra do Sol.

Há mais de trinta anos sofremos com num dramático processo de reconquista das nossas terras, que acreditávamos seria concretizado pelo Estado Brasileiro, em cumprimento à Constituição Federal. Porém, fomos surpreendidos por uma medida judicial, que em caráter liminar impediu, provisoriamente, a retirada dos invasores da nossa terra.

Chega de tanto sofrimento, já esperamos demais! Tivemos calma, muita paciência e confiança nas autoridades, mas agora basta! Podemos decidir sobre o nosso futuro e tomar providências, com a união do nosso povo, estamos pedindo gentilmente que os outros invasores que já receberam suas indenizações e aqueles que estão com suas indenizações depositadas em juízo, deixem a nossa terra livre.

Também queremos trabalhar e desenvolver para contribuir com o crescimento sócio-econômico do estado de Roraima e do Brasil. Chega de sermos acusados de atrapalhar o desenvolvimento do Estado de Roraima! Chega de tanta discriminação e preconceito contra os povos indígena de Roraima. Somos cidadãos brasileiros em pleno exercício dos nossos direitos.

Queremos punição aos culpados pelas destruições das comunidades indígenas Jawari, Homologação, Brilho do Sol, Retiro Tai Ta (ano 2004) e Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (2005) e todos os outros crimes ocorridos em nossa terra, principalmente os atentados terroristas dos últimos dias.

Assinam:

Comunidades Indígenas da Raposa Serra do Sol”


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